Tradição de Corpus Christi ganha novos significados para família em Florianópolis

Celebração mobiliza fiéis no centro histórico e emociona mãe que vê os filhos continuarem tradição

CAMILA HASCKEL

O centro histórico de Florianópolis amanheceu na quinta-feira (4) tomado por cores. Como ocorre tradicionalmente, as ruas à frente da Catedral Metropolitana foram decoradas com os tapetes de Corpus Christi. De acordo com a Arquidiocese, aproximadamente 300 pessoas, organizadas em 16 grupos de fiéis, se juntaram para a confecção dos tapetes de serragem, areia, flores e sal colorido. As decorações cobriram um trajeto de 500 metros no entorno da praça XV de Novembro. 

O início da montagem dos tapetes começou às 8h e envolveu moradores de diferentes regiões da capital. Os tapetes são confeccionados para serem o caminho da procissão, marcada para começar durante a missa das 15h.

A celebração é realizada pela Igreja Católica desde o século 13, e comemora a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. Além da confecção, a celebração em Florianópolis é um ponto de encontro de histórias familiares.

Entre os fiéis, a dona de casa Letícia Colombo Wojcikiewicz observa o movimento com um sentimento de saudade e orgulho, pois sua relação com a data começou cedo. “Comecei a participar da confecção dos tapetes na juventude. Gostava de ir pelo encontro com os amigos. Com o passar do tempo, tive a clareza da importância do Corpo de Cristo e esse dia ficou mais especial”, relembra.

Tapete confeccionado por voluntários, na calçada da Catedral Metropolitana, em Florianópolis (Foto: Camila Hasckel)

Na casa de Letícia, a tradição se manifesta de formas diversas. Como mãe de três filhos que vivem momentos de vida diferentes, ela se alegra ao observar como o feriado de Corpus Christi atua de maneira particular em cada um. 

A filha mais velha, Larissa, mantém o compromisso com a tradição que aprendeu com a mãe, organizando sua rotina para estar presente. “Com a Larissa, me emociono vendo que adulta, se desvia dos compromissos para ir à confecção dos tapetes. Me orgulho por seu comprometimento”, conta a mãe.

Já a filha do meio, Laura, encontra no Corpus Christi o mesmo ambiente de amizade que a própria mãe vivenciou na juventude. “Com a Laura, vê-la com seus amigos, vivendo a adolescência, ocupando o tempo com coisas boas é uma enorme alegria”, destaca Letícia.

A participação do filho mais novo, Lucas, traz um significado ainda mais sensível para a celebração. Por estar dentro do espectro autista, o dinamismo de um evento exige paciência e adaptação, mas o resultado tem sido gratificante para a família, pois a confecção tornou-se um lugar de descoberta. “Com o Lucas, não sei dizer o que acho mais gratificante. Poder passear em volta da praça com tranquilidade, explicar o significado do corpo de Cristo, tudo é muito especial”, destaca.

Para Lucas, a experiência, as cores e os jornalistas, que são sua paixão, deixaram o momento ainda mais legal. “Gostei de ajudar, gostei de dar entrevista e de comer pipoca. Achei legal o tapete do Brasil”, diz.

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