Palhoça (SC) diminui linhas de ônibus de Florianópolis a Pinheira aos finais de semana
Comunidade reclama do preço elevado de passagem e falta de opções aos sábados e domingos; Jotur afirma que horários não se pagavam
PAULA DE MILANO
Sem aviso prévio, 31 horários de ônibus que levavam a população da Pinheira, bairro do sul de Palhoça (SC), até Florianópolis, durante os sábados e domingos, foram desativados no início de junho. A comunidade, que paga um valor de R$19,75 na passagem do transporte público, viu uma diminuição de 44 para 13 horários no deslocamento à Capital.
A ausência de horários afeta a população de diversos bairros. O ônibus em questão realizava 132 paradas no percurso. A população mais afetada é a do bairro Pinheira. Para Dagoberto Bordin, que mora no bairro há mais de 30 anos e tem como meio de transporte principal o ônibus, a locomoção na região é limitada. “Vou para Florianópolis em vários horários, mas especialmente no final de semana. Fiquei surpreso ao ver a quantidade de linhas que foram desligadas, porque nós já achamos o valor da passagem caro”, diz.
O servidor público Kauã Liecheski utiliza o transporte público como meio de transporte para ir de sua casa na Pinheira até o trabalho no bairro Morretes. Para ele, um subsídio implementado para linhas municipais ajudou a compensar os cortes nos trajetos entre cidades diferentes.
Em 30 de março, a Câmara Municipal de Palhoça autorizou um subsídio de R$ 670 mil à Jotur, empresa responsável pela administração do transporte público no município. O objetivo era diminuir o preço da tarifa das linhas municipais Pinheira-Palhoça, que atingiam o valor de R$16,00, para R$ 6,50. Além disso, o valor ajudaria em uma renovação da frota.
Segundo o gestor da Jotur, Ivo Ramos, a empresa não diminuiu horários, já que as novas linhas municipais também passam pelo centro de Palhoça, assim como o intermunicipal. Ramos afirmou que a falta de passageiros motivou a desativação de horários e que cerca de 70% dos usuários descem em Palhoça e não em Florianópolis. “Precisamos ter demanda suficiente para que o horário tenha um resultado. Não somos Uber, somos um transporte coletivo. Se alguém quer ir para o centro, mas é só um passageiro, prefiro que ele pague um Uber “, diz o gestor.
Apesar de argumentar que as linhas não têm passageiros suficientes, Ivo afirmou que um alto índice de passageiros idosos atrapalham os lucros da Jotur. “Esse usuário acaba sendo um problema, porque ocupa o banco e não podemos trazer o passageiro que paga a passagem”. O diretor acredita que, em média, 76% dos assentos nos ônibus são usados por passageiros com gratuidade.









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