Florianópolis registra quase 800 pinguins mortos na temporada de 2026
Inexperiência das aves na rota migratória é a causa principal do encalhe, somada aos impactos da ação humana
CAMILA HASCKEL
Desde o início do outono, 796 pinguins-de-magalhães foram encontrados mortos nas praias de Florianópolis. Os registros abrangem o período entre o começo da estação e a última quarta-feira (17), segundo dados da Associação R3 Animal, responsável pela execução do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
Segundo a técnica da R3 Animal, Mariê Loro, embora o número assuste, a quantidade está dentro do esperado para os meses mais frios do ano. As aves saem de colônias na Patagônia Argentina em busca de alimento e chegam ao Sul e Sudeste do Brasil com as correntes marítimas. “Muitos indivíduos jovens e inexperientes chegam às nossas praias exaustos. Infelizmente, muitos não resistem à jornada”, explica.
Segundo dados da R3 Animal, 2.674 pinguins-de-Magalhães foram registrados na temporada migratória de 2025. Desses, apenas 115 estavam vivos no momento do resgate.
O biólogo e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Guilherme Brito destaca que um dos problemas enfrentados pelas aves envolve os perigos criados pelo homem e por doenças. “Eles entram em contato com poluição e apetrechos de pesca, o que aumenta a mortalidade. O contato com patógenos, como a malária aviária e a aspergilose, também contribui, principalmente de indivíduos jovens”, afirma.
Nesta temporada, além dos quase 800 animais mortos, 73 pinguins foram resgatados vivos pela R3 Animal, que trabalha no salvamento das aves que chegam debilitadas. As aves resgatadas foram encaminhadas ao centro de reabilitação no Parque Estadual do Rio Vermelho para receberem tratamento antes de voltarem ao mar.
O deslocamento do pinguim-de-Magalhães faz parte de um comportamento biológico que se repete há anos. “Essa rota de migração é consistente. Há registros de esqueletos de pinguim-de-magalhães nos vários Sambaquis aqui de Santa Catarina”, esclarece o professor.
A expectativa é que os encalhes continuem durante o inverno e comecem a diminuir a partir de setembro, quando os sobreviventes iniciam a viagem de retorno às suas colônias reprodutivas.
O que fazer ao encontrar um pinguim na praia?
- Não devolva o animal ao mar;
- Não o coloque em contato com gelo;
- Não tente alimentá-lo nem fazer carinho;
- Afaste animais domésticos;
- Acione o resgate da R3 Animal: (48) 3018-2316 ou 0800-642-3341 (diariamente, das 7h às 17h).









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