Cães de abrigo em Florianópolis atendem escola de ressocialização
Iniciativa atende animais que aguardam adoção e prevê acompanhamento por até 2 anos
ISADORA ROCHA
A Diretoria de Bem-Estar Animal (Dibea) de Florianópolis encaminhou 28 cães para uma escola de adestramento com o objetivo de ressocializar animais que têm dificuldades para serem adotados. O programa atende cães considerados agressivos, reativos e com dificuldades de convivência com outros animais ou de adaptação a novos ambientes, e tem duração prevista de dois anos.
“A iniciativa surgiu de um acordo entre o Ministério Público e uma empresa que precisava pagar um valor para o município”, explicou o diretor da Dibea, Filipe Vieira. O valor total do acordo não foi divulgado. A escola responsável pelo atendimento é a Cãofiança, dirigida pelo adestrador Gustavo Fleury, que mantém equipe especializada para receber os animais.
Inicialmente, era previsto o atendimento de 50 cães, mas alguns animais foram adotados antes do início do treinamento. Atualmente, 28 cachorros participam das atividades na escola Cãofiança, enquanto outros quatro aguardam castração no hospital veterinário da Dibea antes de ingressarem no projeto.
Entre os casos atendidos estão Draco, um pitbull resgatado em 2022 considerado reativo, e Salvatore, um pastor alemão que chegou ao abrigo com uma corrente presa ao pescoço e possui traumas do resgate. “É necessário um manuseio diário de carinho e comandos com eles. Esses cães têm um trauma forte, e o trauma se supera com técnica”, afirmou Fleury.
O programa começou em junho deste ano. Durante os dois anos de duração, os cães ficam em tempo integral na Cãofiança. Os animais continuam disponíveis para adoção mesmo durante o treinamento. Se uma família se interessar por um dos cães nesse período, o acompanhamento pode continuar após a adoção sem custo adicional, presencial para moradores de Florianópolis e online para quem mora em outras cidades.
Esta é a primeira experiência da Dibea com adestramento formal para animais reativos. “A necessidade já existia, então juntamos as duas questões, a necessidade do município e o pagamento dessa indenização pela empresa”, disse Filipe. Ao fim dos dois anos, a diretoria pretende avaliar os resultados e, se a iniciativa for considerada positiva, abrir novo credenciamento para adestradores e empresas interessadas em oferecer o serviço ao município.









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