Clássico de Plínio Marcos estreia no DCE

Navalha na Carne, que dramatiza a existência subumana e marginalizada, foi encenada por alunos de Artes Cênicas da UFSC

OLÍVIA SCHEEL

“Será que somos gente?” é a provocação que guia Navalha na Carne, peça que conduziu o público a uma reflexão sobre a escassez humana, a dor e a incerteza. A encenação faz parte da disciplina de Processos Criativos do Curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A apresentação foi feita pela primeira vez na quinta-feira (13), às 16h, na sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSC, em Florianópolis.

O texto foi escrito pelo escritor brasileiro Plínio Marcos em 1967. A trama apresenta o embate entre uma prostituta, seu cafetão e um faxineiro em um quarto onde interesses, suspeitas, dependências e conflitos estruturam a vida dos três personagens principais. Apresentada originalmente em São Paulo, a peça foi censurada após ser levada ao Rio de Janeiro e só voltou a ser apresentada na íntegra em 1980.

A proposta foi representar o lado humano e vulnerável das pessoas, diz Christian Menna, diretor da peça. “A ideia era pegar um teatro que falasse de gente de verdade, reconhecendo que essa gente de verdade tem problemas”, disse.

Para a equipe, o desafio foi construir um ambiente que sustentasse a tensão em cena. “Os objetos precisavam ter vigor, permitir ações improvisadas e mostrar como tudo ali pode virar instrumento de ameaça”, explica Melissa Versari, diretora de arte. Ela acrescenta: “A encenação busca fazer com que o público entenda e rejeite as personagens ao mesmo tempo, percebendo as nuances das situações que vivem”.

“Foi essencial e pesado, enquanto mulher, interpretar uma personagem que apanha e que sofre, mas fui para esse lugar de empoderamento para trazer à tona que essas violências seguem acontecendo e precisam ser denunciadas”, afirmou Lívia de Oliveira, que interpreta a protagonista Neusa Sueli. As preparações começaram em agosto e incluíram treinamentos específicos para as cenas de violência. “Fizemos muitos exercícios de luta, taekwondo e jiu-jitsu, para garantir a segurança nas ações, ser lançada, levar um tapa ou um soco sem se machucar, mas mantendo tudo o mais próximo do real possível”, explica Lívia.

Livia de Oliveira em cena de discussão com o cafetão Vado (Foto: Olivia Scheel/UFSC)

A equipe, ao final da peça, agradeceu pelo apoio do DCE e ao Centro Acadêmico de Artes Cênicas da UFSC e relatou que houve um conflito entre a realização de ensaios e as aulas teóricas no Espaço Físico Integrado (EFI) da UFSC. O diretor da peça, Christian, disse que a falta de definição sobre o uso das salas levou ao cancelamento de reservas destinadas aos processos criativos, o que atrasou em duas semanas o andamento dos ensaios. O evento artístico faz parte dos eventos culturais gratuitos promovidos no Festival dos Estudantes Contra as Guerras do DCE, com apoio de movimentos sociais e entidades estudantis junto à Frente Palestina Livre. 

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