Plano Estratégico de Florianópolis ameaça Turismo de Base Comunitária do Morro da Cruz


Por INGRID CALIXTO e FELIPE PAZE

Família do Mocotó, primeira comunidade a ser habitada do Maciço no século XVIII. Hoje a comunidade possui mais de 8 mil moradores (Foto: Felipe Paze / UFSC).

Sandra explica aos turistas que a ideia de trazer o TBC ao Monte Serrat surgiu na pandemia, quando mulheres do morro buscavam renda extra vendendo sabão e produtos de limpeza feitos em casa (Foto: Felipe Paze / UFSC).

Moisés Nascimento na organização da Galeria de Arte do Mocotó, promovida pelo quadro de lideranças comunitárias do morro, o instituto Cidades Invisíveis e o Rolê do Mocotó (Foto: Sarah Pretto / UFSC) 

Turistas descansam durante passeio ao lado da rádio comunitária mais antiga do Monte Serrat. O slogan na porta diz: “Rádio Guettude – É da nossa cor”, enquanto toca reggae (Foto: Felipe Paze / UFSC).

Segurança é usada como argumento, mas não chega aos moradores

A relação com o território é uma questão importante para a comunidade. Segundo a assistente social e autora da tese “Violência policial, racismo e periferia: uma análise dos moradores do Maciço do Morro da Cruz”, Patrícia Lúcia da Silva, a Prefeitura não vê a periferia como pertencente ao seu território. “Isso acontece desde o processo de favelização em Florianópolis, no qual os moradores foram empurrados para os morros. O Estado não enxerga essa população como digna de moradia, saúde, educação, mas sim, como pessoas que não deveriam ocupar aquele espaço”.

Grafites no Mocotó denunciam descaso. Em reuniões com a Prefeitura na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, moradores tiveram cinco minutos de fala cada e diversas autoridades se ausentaram (Foto: Felipe Paze / UFSC).

Relatório“Segura pra quem?” do Portal Desterro, indica que 2025 foi o ano mais letal da polícia na história da capital, com 37 mortes decorrentes de intervenções policiais, sendo 85% delas em periferias, vitimando majoritariamente jovens negros (Foto: Felipe Paze / UFSC).

Pedido de paz pintado na escadaria do Mocotó. Moisés diz que não há nada mais assustador para uma mãe do que ouvir o barulho dos fogos de artifício quando o filho está brincando na rua. Quando os fogos são acesos é porque a polícia chegou no morro (Foto: Felipe Paze / UFSC).

Na ausência do estado, outras iniciativas mantem TBC vivo 

Audiência promovida por Marquito (PSOL), ao microfone, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) sobre PL. Sessão plenária na Câmara, em 2025, aprovou por unanimidade o Projeto de Lei que institui a Política Municipal de Turismo de Base Comunitária na capital (Foto: Divulgação / Alesc).

Uma Florianópolis dentro de outra Florianópolis, o morro e o asfalto (Fotos: Nathalia Luna / UFSC).

Publicar comentário