Feminicídio de Catarina Kasten mobiliza população no Sul da Ilha

Ato aconteceu no dia seguinte ao crime e reuniu cerca de 215 pessoas; em sua maioria, mulheres

EDUARDA DUARTE

O feminicídio de Catarina Kasten, ocorrido na sexta-feira (21) na trilha da Praia do Matadeiro, mobilizou cerca de 215 pessoas em um ato realizado no sábado (22), às 7h, em frente à igreja Sant’Ana e São Joaquim da Armação, no Sul de Florianópolis. A manifestação, organizada por um grupo de mulheres surfistas da região, expôs a dor e a revolta de quem vê mais uma vida interrompida pela violência contra as mulheres.

Carla Teixeira, uma das organizadoras do ato, lê texto que homenageia Catarina Kasten. Ao fundo, amigas da vítima choram pela perda (Foto: Eduarda Duarte / UFSC)

Discursos emocionados de amigas e conhecidas iniciaram o ato. Mulheres que não tinham relação com Catarina também relataram medo, indignação e tristeza diante do crime. Em seguida, todos caminharam até a Praia do Matadeiro, levando cartazes com frases como “mais um feminicídio. Basta!” e “Catarina presente”, ao som de atabaque e berimbau tocados por dois participantes. Durante o percurso, cantavam “eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor”. Por fim, os manifestantes jogaram flores no mar em homenagem a Catarina. O ato foi encerrado por volta das 9h30.

Para as organizadoras, o protesto busca ampliar o debate social sobre violência de gênero. “A piada machista, o assobio na rua… assédios cotidianos como estes contribuem para um ambiente que acaba com a vida das mulheres”, afirmou Carla Teixeira, integrante do grupo de surf. Gabriela Sagaz, também organizadora, disse que o sentimento de vulnerabilidade tomou o bairro. “Parece que isso pode acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar.”

Novembro foi o mês mais violento do ano para as mulheres, com dez feminicídios registrados.. Dados do Relatório de Violência contra a Mulher em Santa Catarina, produzido pelo Observatório da Violência Contra a Mulher e pelo Ministério Público de Contas, apontam que o estado contabilizou 38 feminicídios até outubro. Desde 2020, SC tem uma média de 54 mulheres assassinadas por ano, o equivalente a uma mulher morta por semana. 

Catarina havia saído de casa por volta das 6h50 de sexta-feira para ir à aula de natação, atividade rotineira da jovem. Ao acessar a trilha do Matadeiro, foi asfixiada e violentada sexualmente por um homem de 21 anos que morava na Armação. Ele foi identificado pelas câmeras de segurança, instaladas na trilha por moradores, e preso preventivamente por feminicídio e estupro.

Amigas de Catarina Kasten levam flores para homenageá-la (Foto: Eduarda Duarte / UFSC)

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