Festival Artes em Movimento recebe 400 dançarinos e amplia acesso à cultura em Palhoça
Organizadores, professores e artistas apontam a necessidade de mais iniciativas culturais na região
ELIS VIRGÍLIO
A edição especial do festival Artes em Movimento em comemoração aos 16 anos do shopping ViaCatarina reuniu cerca de 400 bailarinos da região, segundo a organização. O evento ocorreu na tarde de sábado (16) no shopping ViaCatarina, localizado em Palhoça (SC), e apresentou 70 coreografias de diferentes estilos, desde balé infantil até danças árabes. As inscrições eram gratuitas e o acesso liberado ao público: qualquer pessoa que estivesse passeando podia parar e apreciar as performances.
Segundo a organizadora, Camila Bortolo, o festival foi criado em 2014, com a intenção de criar um espaço de valorização dos artistas locais. Para ela, um dos principais desafios é manter um evento desse porte em um local com poucas iniciativas culturais de grande alcance. “Outro desafio é conseguir mostrar para empresas e parceiros a importância de investir em cultura”, destaca.
A professora Caroline Azevedo, do Grupo de Dança Carol Azevedo, também sente falta de projetos voltados à promoção das artes no município. “Esses eventos são importantes, pois além de ser uma oportunidade de o bailarino estar na posição de protagonista, um evento gratuito, em um local acessível como o shopping, promove o acesso à cultura de forma democrática”, diz a professora.
Nessa décima segunda edição do Artes em Movimento 30 grupos da região se inscreveram, entre eles o grupo de dança do Centro de Integração Familiar (Ceifa). Para a professora de dança do projeto social, Ana Paula Gonzalo de Araújo, festivais gratuitos proporcionam aos jovens a oportunidade de se enxergar em diferentes espaços. “Eventos que abrem espaço para todo tipo de grupo são muito importantes também para que os bailarinos possam ter diferentes vivências”, disse.
Lara Costa da Silva, de 11 anos, participa do Ceifa há alguns anos e essa foi a primeira vez que se apresentou no festival. O grupo optou por uma coreografia coletiva de hip-hop, com figurinos inspirados nos anos 80 e 90. Lara diz que o mais divertido é dançar com os amigos e se reunir ao final das apresentações para comemorar.
A dançarina e professora do Estúdio Jacqueline Lorenzetti, Karina Hernandez Moreira, de 54 anos, conta que mesmo com a experiência sempre sente certo nervosismo. “Dá um fervo né? Uma borboleta no estômago no início, mas depois você relaxa e é uma delícia”, comenta. Como professora, Karina observa que quanto mais experiências, mais os alunos se soltam, por isso a importância da promoção de eventos que valorizam os artistas locais.
A próxima edição do festival está prevista para ocorrer em outubro, com dois dias de apresentações. Segundo a organizadora Camila, a edição de outubro de 2025 reuniu mais de 3 mil artistas, com cerca de 250 coreografias, e a tendência é de aumento no número de inscrições para 2026.









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