Alunos da UDESC realizam aulas de teatro dentro do Hospital de Custódia
Pela primeira vez pacientes saem de complexo penitenciário para encenar peça de Brecht
GRAZIELA PASINATTO
Pela primeira vez a turma de teatro do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP) de Florianópolis vai sair da instituição para apresentar uma peça. O espetáculo O Voo Sobre o Oceano vai estrear em 6 de julho, às 11h, no Centro de Artes (Ceart) da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc).
O HCTP faz parte do complexo penitenciário de Florianópolis, na Agronômica. O local realiza o acompanhamento das medidas de segurança concedidas a pessoas que cometeram crimes, mas foram diagnosticadas com um transtorno mental. Dentre as atividades oferecidas, o núcleo de pesquisa Teatro e Prisão da Udesc leva ao HCTP aulas de teatro para as pessoas em privação de liberdade.
Neste semestre, o espetáculo desenvolvido pela turma é uma adaptação da obra O voo sobre o oceano do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. É uma peça pedagógica, que procura gerar reflexões sobre a realidade a partir de um cenário imaginário. Para a construção do roteiro, os atores responderam a pergunta “Se você pudesse pegar um avião e ir para um lugar perfeito, como ele seria?”.
O mestrando em Artes Cênicas pela Udesc Guilherme Augusto, que ministra as aulas no HCTP, afirmou que o Hospital de Custódia categoriza as aulas de teatro como uma prática terapêutica, que colabora com o tratamento dos pacientes junto às medicações. Mas, pessoalmente, ele vê as aulas como um ambiente de construção junto às pessoas em privação de liberdade “Construir um espaço em que elas podem ou não sentir desejo de fazer as coisas, tentamos garantir nessas duas horas de aula que eles possam se expressar”.
Augusto começou a ministrar a oficina em 2023. Ele contou que no início do projeto foi mais difícil se conectar com os pacientes, porque a circulação de pessoas nas turmas dificultava a criação de vínculos. Com o tempo, o projeto ficou conhecido. “Eles veem que nós vamos lá todas as semanas há três anos, conversam entre eles e indicam. Acho que isso foi importante para o projeto se manter”.
O outro professor, Davi Lentz Marcon, é graduando de Artes Cênicas na Udesc e participa pela primeira vez do projeto. Ele explicou que dentro do Hospital de Custódia, os pacientes não são obrigados a participar das aulas, então os professores fazem um planejamento de longo e curto prazo, onde todos os alunos se sintam incluídos durante um dia ou um semestre. Além disso, nas aulas existem outros fatores. “Depende se as pessoas estão bem ou não – por conta da medicação – para participar, então não é um contexto ‘comum’ de aula”, explicou Marcon.









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