Manifestantes em Florianópolis protestam contra violência policial 

Ato fez parte de mobilização nacional contra mortes em megaoperação no RJ 

ISADORA PINHEIRO

Centenas de pessoas se reuniram em frente ao Terminal de Integração do Centro (Ticen), na tarde de sexta-feira (31), em Florianópolis, para participar de ato público em repúdio à chacina ocorrida nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. Organizada pela Marcha da Consciência Negra, a manifestação protesta contra a operação policial, realizada na terça-feira (28), que deixou mais de 120 mortos, segundo denúncias de organizações de direitos humanos, é considerada uma das mais letais da história do Brasil.

O protesto na capital catarinense integra uma mobilização nacional convocada por movimentos sociais, coletivos antirracistas e organizações de direitos humanos em todo o país. 

Manifestantes iniciaram protesto em frente ao TICEN (Foto: Isadora Pinheiro / UFSC)

A concentração começou às 17h, com falas abertas ao microfone e a leitura de um manifesto em homenagem às vítimas. Muitas pessoas levaram flores e cartazes com os nomes de alguns mortos na operação. A marcha seguiu pela avenida Paulo Fontes, ganhando a atenção de quem passava pelo centro.

Entre os participantes, estudantes, militantes e trabalhadores compartilharam sentimentos de indignação e solidariedade. A aposentada Jussara Maria de Oliveira, de 86 anos, destacou que a mobilização é uma forma de ampliar o debate sobre ações que retratam a letalidade policial e a incapacidade de combater o crime organizado. “Vim porque não dá mais para tratar essas mortes como algo distante. Vim me manifestar contra a barbárie, faço isso há mais de 50 anos porque diz respeito a todos nós. É um problema nacional”, afirmou.

Para um dos coordenadores do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)? e estudante de Ciências Sociais, Lucas Jagiello, a violência policial no Rio é reflexo de uma política de segurança que se repete no país. “O que aconteceu agora no Rio de Janeiro é o verdadeiro propósito da Polícia Militar, que é assassinar, principalmente, o povo negro. Aqui eu consigo fazer o que está ao meu alcance para ajudar a barrar o genocídio, e a organização coletiva é uma solução”, disse.

A jardineira Jessie Carlotti levou a neta ao ato. Ela afirmou que o protesto também é um gesto de educação e resistência. “A única maneira de sermos ouvidos é nas ruas. Eles só ouvem quando tem um movimento popular grande. Com engajamento e organização”.

Durante as falas finais, os organizadores destacaram que a mobilização não é um ato isolado e anunciaram a criação de um abaixo-assinado exigindo a abertura de uma investigação independente sobre a megaoperação e a implementação de medidas contra a letalidade policial.

Operação policial no RJ foi estopim para manifestações (Foto: Isadora Pinheiro / UFSC)

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