Casa de acolhimento para vítimas de violência doméstica muda de imóvel após ação policial
Ocupação passa a funcionar em espaço cedido por vizinha no bairro José Mendes
DORA BRINGHENTI
A Ocupação Liberata, casa de referência destinada a acolher mulheres vítimas de violência, mudou de endereço após intervenção da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC). O Movimento de Mulheres Olga Benário, responsável pela ocupação, havia apropriado um imóvel abandonado no início de março. Após interferência da polícia e do proprietário, o grupo deixou o local. O novo endereço fica na mesma rua, José Maria da Luz, bairro José Mendes, em Florianópolis.
A Ocupação Liberata foi criada em 14 de março de 2026, data que corresponde aos oito anos do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco. A iniciativa integra uma jornada nacional organizada pelo movimento, que criou 17 ocupações em homenagem à vereadora neste ano. O imóvel onde a ocupação se mudou era conhecido como ponto de venda de drogas e associado a casos de violência. O local foi cedido ao movimento pela proprietária que, segundo uma das organizadoras, era constantemente ameaçada por um antigo morador.
Natural de Florianópolis, Bruna Silveira da Silva, 25, participou da criação do espaço e afirma que a Ocupação Liberata é um ambiente de liberdade e respeito. “Na ocupação, sou mulher. As pessoas me respeitam”, disse. Bruna se mantém por meio de iniciativas do movimento, como brechós beneficentes e trabalhos com entregas. Segundo ela, é difícil encontrar trabalho formal sendo uma pessoa trans em Florianópolis. Para Bruna, a ocupação representa uma rede de apoio fundamental.
O Movimento de Mulheres Olga Benário, fundado em 2011, já criou mais de 30 casas de referência no país, locais de acolhimento provisório a mulheres vítimas de violência e seus filhos. O grupo afirma ser pioneiro na realização de ocupações urbanas com essa finalidade na América Latina. O Olga é um dos movimentos de base do partido Unidade Popular (UP) e tem como objetivo combater o feminicídio e difundir ideais socialistas por meio da venda do jornal A Verdade e da promoção de eventos, como cine-debates.
Celina Limeira Centena, membra da coordenação do movimento, afirma que espaços como a Ocupação Liberata são essenciais para garantir que mulheres acessem seus direitos e consigam sair de situações de violência. Segundo ela, leis voltadas à emancipação feminina não têm sido eficazes, e o Estado falha em garantir segurança. “O Governo Federal não dá resposta, pacto contra o feminicídio não resolve. As mulheres não têm nada neste estado, não temos uma delegacia da mulher 24 horas em Santa Catarina”, afirma.









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