Áreas verdes são aliadas da saúde mental dos universitários, diz estudo

Pesquisa indica que 83,5% dos universitários enfrentam dificuldades emocionais; contato com o verde surge como alternativa de cuidado

LETÍCIA LAURA

Estudo publicado na Revista Brasileira de Ecoturismo, em 2025, mostra que observar áreas verdes pode reduzir sintomas de ansiedade, estresse e depressão, além de melhorar a concentração e o bem-estar geral. No ambiente acadêmico, dados do relatório do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Estudantis (Fonaprace, 2019) apontam que 83,5% dos estudantes de universidades federais relataram dificuldades emocionais que interferiram na trajetória acadêmica. 

Especialistas defendem que a ampliação e o cuidado com os espaços naturais nas instituições de ensino superior são aliados diretos da promoção da saúde e do desempenho dos estudantes. Na avaliação da psicóloga educacional Marilúcia Ramos Anselmo, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), houve aumento de 40% nos casos de sofrimento mental entre universitários após a pandemia. Parte desse crescimento, explica, está relacionada à falta de exposição solar e à redução das atividades físicas, fatores que influenciam os níveis de vitamina D e o humor. “Os espaços verdes oferecem momentos de descanso, socialização e pertencimento. Isso é essencial para o desempenho acadêmico e para evitar evasão”, afirma.

Ela acrescenta que o isolamento e a pressão constante favorecem o adoecimento. Segundo Marilúcia, práticas como meditação e contato com a natureza ajudam a equilibrar emoções e aliviar a sobrecarga. “O Brasil é o país com maior índice de ansiedade do mundo. É preciso resgatar o equilíbrio entre estudo, descanso e lazer”, diz.

A socióloga Hieda Corona, professora na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), chama atenção para a dimensão histórica do problema. Segundo ela, a urbanização intensa afastou as pessoas do convívio com o meio natural, inclusive nos campi universitários. “Os territórios passaram a ser tratados como espaços de exploração. Reintroduzir a natureza nas cidades e universidades é uma resposta racional aos problemas modernos e uma forma de reconectar o ser humano com sua própria essência”, afirma.

Na prática, estudantes percebem os efeitos dessa relação. A aluna de engenharia civil Katharyna Macedo, da UFSC, relata que os momentos em meio à natureza ajudam a organizar as tarefas e manter o rendimento. “Tenho recomendação médica para fazer pausas em locais que me façam bem. Quando estudo ao ar livre, retomo o ritmo de forma menos estressante”, relata. Para ela, a universidade poderia investir mais na integração entre ambiente e convivência. “Seria interessante ter mais bancos, deques e espaços arborizados. Isso incentiva o uso e melhora a qualidade de vida”.

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