Estudantes de Letras/UFSC acusam professor de assédio sexual

Cópias de mensagens atribuídas ao docente foram exibidas como provas; alunos exigiram punição: “Não aceitamos o seu assédio” 

GRAZIELA PASINATTO E ARTHUR WESTPHALEN

Estudantes de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) reivindicaram, em protesto público, medidas punitivas contra um professor que acusam de assédio sexual. A manifestação reuniu 30 pessoas às 18h40 de quinta-feira (26) no segundo piso do Bloco A do CCE, no campus Trindade, em Florianópolis. O grupo ocupou as paredes com cartazes que trazem frases de repúdio e capturas de tela que registram mensagens inadequadas enviadas pelo docente a uma aluna.

Em dezembro de 2025 foi aberta uma sindicância no Departamento de Processos Disciplinares que investiga a conduta do docente. O processo foi iniciado após uma aluna divulgar mensagens enviadas por ele via redes sociais. Nessas conversas, o professor convida a aluna para ser monitora de uma de suas matérias e a chama para tomar café fora da universidade. 

Semanas após a primeira tentativa de contato, o professor teria novamente assediado a aluna: “Em menos de cinco minutos ele me ligou mais de dez vezes”, afirma Daniela. A aluna conta que, alguns dias depois, uma mulher entrou em contato com ela e alegou ter sido vítima de perseguição pelo professor.

“As aulas que o professor estava ministrando já estão com outros docentes”, explicou a professora Luana Barossi, coordenadora do curso de Letras Português. O professor foi afastado por 60 dias pelo Departamento de Processos Disciplinares (DPD/UFSC), com possiblididade de prorrogação até 120 dias.

Uma publicação feita pelo docente nas redes sociais em dezembro aumentou a indignação dos estudantes. Na postagem, deletada no mesmo dia, ele escreveu que Catarina Kasten, aluna de pós-graduação do CCE estuprada e assassinada na praia do Matadeiro no ano passado, poderia ser homenageada com um portal próximo de uma lixeira, em vez de se tornar o novo nome da praia. A lixeira mencionada aparece nas imagens de câmeras de segurança que flagraram o acusado pelo feminicídio.

Postagem realizada em redes sociais foi apagada no mesmo dia(Foto: Reprodução / Facebook)

Após o protesto, outros estudantes do CCE relataram casos de comunicação inadequada protagonizados pelo docente. Um relato, por exemplo, é que o professor teria cancelado uma aula com a justificativa de que tinha sido “corno”.

A coordenação do curso de Letras Português afirmou apoiar os alunos nos passos necessários para o processo administrativo e as outras etapas. A sindicância que apura as denúncias contra o professor tramita em sigilo no Departamento de Processos Disciplinares (DPD/UFSC). Assim como todos os servidores públicos, para ocorrer o afastamento ou demissão de um professor universitário federal são necessários diversos processos administrativos que correspondem à Lei 8.112/91.

Esses processos podem levar de cinco meses a mais de ano, com obrigatoriedade de investigação, prestação de depoimentos, apresentação de provas, direito a ampla defesa e, no caso de uma universidade federal, aval da reitoria. O professor foi afastado pelo DPD/UFSC por 60 dias com possibilidade de extensão para até 120 dias totais.

Protesto foi organizado pelo Centro Acadêmico Livre de Letras (CALL) (Foto: Reprodução / CALL)

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