Desfile em SC destaca moda para pessoas amputadas

Parceria entre Udesc e UFSC transforma moda em ferramenta de empoderamento e sustentabilidade

JULIA LUCIANA

Com roupas adaptadas para pessoas amputadas, o desfile Amputação em Movimento: Moda e Inclusão ocorreu na segunda-feira (17), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis. A ação foi uma parceria entre a Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

O evento reuniu pacientes do projeto de extensão Reabilitação Multidisciplinar em Amputados (Ramp), da Udesc, que desfilaram peças criadas por estudantes de moda da instituição. O processo foi acompanhado e registrado pelo projeto Jornalismo e Ação Comunitária (JAC), da UFSC.

Segundo Amanda Piazza, supervisora dos atendimentos clínicos do Ramp, a confecção das roupas transformou a autoestima dos pacientes antes mesmo da passarela: “Quando os alunos de moda perguntaram sobre os gostos deles, a gente viu uma mudança. Isso refletiu no resultado da fisioterapia, porque eles queriam estar bem para desfilar as roupas que tanto desejavam”.

Dionísio Ramilo, paciente do Ramp e um dos modelos, diz ter se sentido valorizado e motivado pela experiência. Inspirada em sua paixão pela jardinagem, a roupa que ele usou trouxe sensação de bem-estar e pertencimento. “Estou muito feliz e espero servir de exemplo para outras pessoas que também perderam a perna”.

Dionisío Ramilo, paciente do Ramp, desfila com roupa exclusiva criada para ele (Foto: Sarah Pretto / UFSC)

Para Soraia da Luz, coordenadora do Ramp, o desfile reforça a importância de promover a inclusão de pessoas amputadas. Ela diz que, apesar dos esforços do projeto, o acesso à reabilitação plena ainda enfrenta barreiras no estado e no país, como listas de espera, serviços fragmentados e falta de equipes multiprofissionais. “A fila do Ramp não para de crescer, e a cada semana novos pedidos chegam de cidades diferentes. Não podemos assumir uma demanda que é estadual, social e nacional, e isso dói. Dói porque vemos de perto o impacto da espera, as complicações evitáveis, a perda de autonomia e esperança. É por isso que esse evento importa”, diz.

Além da parte social, os estudantes de moda trabalharam a sustentabilidade, explorando economia circular e upcycling, técnica que transforma peças usadas em novas, explica a professora de moda Gabriela Kuhnen. A consultora em moda inclusiva e CEO da Bullock Inclusion, Samanta Bullock, acrescenta que a iniciativa permitiu aos alunos pensar além da estética, considerando conforto e funcionalidade. Em parceria com Samanta, o grupo de alunos com melhor desempenho irá a Londres em setembro de 2026 para participar de um desfile de moda inclusiva na semana de moda da cidade, a Londres Fashion Week.

A cobertura de todo processo seguiu a perspectiva de comunicação comunitária, segundo Melina Ayres, responsável pelo JAC, da UFSC. “Quem conta e é contado participa da produção da narrativa. A partir disso, conseguimos olhar para a deficiência como potência e possibilidade”, diz, ressaltando a importância da integração entre UFSC e Udesc para gerar impacto na sociedade. 

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