Famílias passam Finados no Cemitério dos Ingleses entre homenagens, flores e lembranças

Zelador Valdir José Luiz acompanhou visitantes que mantêm viva a tradição de lembrar quem partiu

MARGARIDA BOMFIM

Comemorado em 2 de novembro, o Dia dos Finados começou cedo no Cemitério Municipal dos Ingleses, no norte de Florianópolis. Desde as primeiras horas da manhã, famílias chegavam com flores e velas para colocar nos túmulos. 

O zelador Valdir José Luiz, 64, acompanha essa movimentação há 25 anos. Ele é responsável pela manutenção do cemitério e pelos sepultamentos. As pessoas começam a visitar os túmulos a  partir de 15 de outubro para limpar, tirar flores velhas e recolher sujeira. A função de Valdir é capinar, varrer, recolher o lixo e preparar tudo para o dia 2.

Para o zelador, o feriado é sempre intenso. Algumas famílias chegam cedo e ficam até o fim da tarde.. É o dia que o cemitério mais recebe visitas. Valdir conhece de perto o significado das homenagens. Sua mãe, seu irmão e seu filho estão enterrados no local de trabalho. “Hoje, faz dez anos que fiz o sepultamento dele. Eu fico aqui, converso com ele. É uma forma de estar perto”, disse com a voz embargada.

Neide Ivonete da Luz, de 53 anos, moradora do bairro, visitou os túmulos da mãe, do filho e de outros familiares. Neide costuma visitar seu entes queridos também em outras datas como forma de gratidão e quando tem saudades, principalmente em datas significativas, como aniversários.

Entre velas e flores sentado ao lado do túmulo de sua família estava o aposentado Hilton Guimarães, de 72 anos, que passou parte do dia no cemitério. Ele costuma  visitar o túmulo de seus pais. Para Hilton o dia é de  tristeza, saudade e gratidão. Ele disse que faz questão de visitá-los para não esquecê-los. Na entrada do cemitério, Gisele Cristófoli, 42, vende flores há mais de 11 anos. Ela diz que suas vendas estão bem e que as flores brancas são as mais compradas. 

Enquanto as famílias prestavam homenagens, equipes da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis faziam vistorias e orientavam os visitantes. De acordo com a gerente Marinice Teleginski, o objetivo é evitar criadouros do mosquito Aedes aegypti. “As famílias são orientadas a preencher os vasos com areia e evitar deixar copos, tampas e embalagens sobre os túmulos. Mesmo pequenas quantidades de água podem servir de criadouro”, explicou.

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