Ruas e calçadas alagadas são problema em dias de chuva na UFSC

Guarda-chuva ajuda, mas não é suficiente para se proteger

DEBORAH CAETANO

Caminhonete na rua Delfino Conti, localizada entre o Centro de Ciências da Saúde (CCS) e Centro Tecnológico (CTC) da UFSC. Foto: Deborah Caetano

Ruas e calçadas alagadas são um cenário comum dos dias de chuva no campus Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Na UFSC, a drenagem pluvial – isto é, o manejo das águas da chuva – é responsabilidade da Prefeitura Municipal e da Prefeitura Universitária (PU). Os dois tipos de drenagem instalados são a macrodrenagem (grandes coletas de água da chuva, como os rios e bueiros) e a microdrenagem ( coletas pontuais, como sistemas de captação na cobertura de prédios).

A falta de drenagem e o acúmulo de água nas calçadas afetam a comunidade universitária de diferentes modos. Para o nutricionista e funcionário público Mick Machado, “caminhar pela UFSC tem sido um teste de resiliência e uma aventura”. Pessoas com mobilidade reduzida, como a bacharel em Jornalismo Caroline Amarante, são as mais afetadas. Caroline usa muletas desde os 15 anos de idade e iniciou a graduação aos 20, em agosto de 2018. Ela afirma que as calçadas sempre são um obstáculo, mas em dias chuvosos são ainda piores, escorregadias. “Um dia caí em frente ao CCE e tive que ficar com a roupa molhada na aula”, disse.

Rotatória da rua Roberto Sampaio Gonzaga, próxima ao Centro de Comunicação e Expressão (CCE) é um dos principais pontos de alagamento na UFSC em dias de chuva. Foto: Deborah Caetano

De acordo com Carolina Cannella, coordenadora na Coordenadoria de Planejamento do Espaço Físico (COPLAN) da PU, um grande desafio nas drenagens são as vias públicas do campus. Ruas como Andrei Cristian Ferreira e Roberto Sampaio Gonzaga são consideradas vias públicas. Embora estejam dentro da unidade territorial da UFSC, a gestão é compartilhada com o município. “A gente tem que ficar mendigando para a prefeitura municipal dar manutenção nos canais de drenagem, mas o certo é eles considerarem as vias como se fossem qualquer outra via do município”.

Outra questão que dificulta a vazão é o terreno da universidade. Segundo a coordenadora, o campus Trindade é uma espécie de “vale”, já que recebe grande volume de água dos morros dos bairros Pantanal e Serrinha. Além disso, há muitas raízes de árvores que entram nos canais de drenagem. Sem limpeza e manutenção contínuas desses sistemas, até  chuvas fracas podem alagar áreas do campus.

Sistema de drenagem em frente à Biblioteca Universitária (BU). Foto: Deborah Caetano

Em relação às calçadas, o atual prefeito universitário da UFSC, Matheus Lima, disse que os serviços de manutenção são feitos isoladamente por uma equipe pequena do Departamento de Manutenção Externa (DME), mas que a gestão está trabalhando em um contrato de pavimentação para atender às demandas pontuais.

“O contrato é para regularizar algumas áreas de calçada. Muitas vezes não são questões simples de resolver. Às vezes precisaria, por exemplo, quebrar um estacionamento inteiro e refazer toda uma rede de drenagem”, diz Matheus. Segundo ele, a conclusão da licitação está prevista para o final do primeiro semestre de 2025.

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