Candidatos à prefeitura de Florianópolis discutem propostas para reduzir fila do SUS
TAMIRIS FLORES
Sete candidatos à prefeitura de Florianópolis participaram de uma série de entrevistas organizadas pelos alunos do segundo semestre do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Desenvolvidas pela Rádio Ponto UFSC, as entrevistas abordaram temas sobre gestão pública, com destaque para a saúde na capital. A questão principal foi o tempo de espera para exames, que, segundo levantamento do jornal O Globo, chega a 583 dias – a maior fila entre 17 capitais analisadas.
Os candidatos foram questionados sobre o que fariam para reduzir o tempo de espera na fila do SUS e melhorar o acesso da população aos serviços de saúde.
Pedrão (PP) defendeu medidas rápidas, como a compra de exames. Ele também propôs que a iniciativa privada realizasse os exames de imediato: “Eu não vou construir laboratório novo, comprar máquina nova ou contratar pessoal. Até eu fazer isso, as pessoas já morreram”. O candidato fez críticas à corrupção na administração pública de Florianópolis e ressaltou a importância de redirecionar os recursos desviados para a saúde.
Lela (PT) compartilhou uma visão similar em relação ao combate à corrupção, afirmando que é preciso acabar com as terceirizações contratadas pela prefeitura, onde, segundo ele, ocorrem desvios de verbas. “Só acabando com a corrupção a gente vai ter dinheiro para contratar um mutirão para acabar com a fila de exames”, disse.
Topázio Neto (PSD), atual prefeito, defendeu as ações realizadas na sua gestão, destacando a criação do Multihospital no antigo aeroporto, especializado em cirurgias de baixa e média complexidade. Ele ressaltou a importância de priorizar a prevenção, evitando que problemas de saúde se agravem com o tempo. “Nós estamos baixando cada vez mais os prazos para consultas especializadas. Exames laboratoriais já têm prazo de três dias para serem realizados”, afirmou.
Rogério Portanova (Avante) também destacou a prevenção, propondo a criação de uma “carteira única” que unificaria os sistemas tecnológicos da saúde pública e da prefeitura. “Vamos ter médicos de família, com eles nós vamos controlar como a população evolui”, explicou.
Marquito (PSOL) criticou o sistema atual de marcação de exames e consultas, que, segundo ele, é operado por uma empresa privada. O candidato propôs romper o contrato e implementar o sistema público no agendamento de procedimentos. Além disso, destacou a importância da atenção primária à saúde. “Vamos reestruturar a atenção primária em saúde, aquela que acontece lá no centro de saúde, com agentes de saúde indo de casa em casa”, disse.
Mateus Souza (PMB) prometeu abrir os postos de saúde às 5h da manhã para evitar filas e construir um hospital no norte da ilha, além de uma UPA no leste da cidade. “Para zerar a fila vai ter que ter um esforço muito grande, primeiro vamos ter que pagar as dívidas da prefeitura, que tem muitos fornecedores sem receber”, explicou.
Brunno Dias (PCO) culpou o neoliberalismo pela precarização dos serviços públicos. “O que acaba com o serviço público em qualquer área é a dominação do setor privado em cima da prestação de serviços públicos”, afirmou. O candidato também se posicionou contra qualquer forma de terceirização ou privatização na saúde, afirmando que pretende acabar com essas iniciativas.
Os candidatos Dário (PSDB) e Carlos Muller (PSTU) foram entrevistados posteriormente, no dia 30 de setembro.

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