Jingles eleitorais dividem opiniões em Florianópolis
Músicas eleitoreiras são ouvidas com frequência pela população da capital
ELLEN RAMOS
“Só de ouvir a primeira nota de qualquer um no Instagram, eu desligo o celular. Já não basta aqueles carros no volume máximo perturbando a gente indo para o trabalho?”, questiona a residente de Florianópolis Suzana Coutinho sobre a divulgação de jingles. A propagação deste recurso é recorrente durante o período de campanha eleitoral. São músicas curtas utilizadas para despertar a atenção do eleitor e fazê-lo se envolver com determinada candidatura.
Mirian Moreira, de 75 anos, enxerga o material como incentivo para participar da votação. “Queria que todos fizessem essas músicas que parecem de novela. Eu nem preciso mais votar, mas vou porque quero, fico animada”. Ana Maria da Silva, de 65 anos, acha os jingles uma alternativa mais leve de compreender os contextos políticos. “Ao invés de um discurso muito chato e denso das propostas, a pessoa vai brincando, nos divertindo, fica mais fácil até de participar desses assuntos”.
Os pontos positivos da ferramenta apontados pelos eleitores são a abordagem lúdica e a memorização do nome e número dos candidatos. “Não acompanho muito essas questões, então é uma maneira de conhecer os candidatos”, fala Gabriele Santarém, de 19 anos. As queixas são devido às repetições em escala nas redes sociais e incômodo com volume alto em ambientes públicos.
Produtores de jingles afirmam que o foco é criar melodias e letras que causem efeito “chiclete” nas pessoas. “Adaptações com músicas famosas são uma boa alternativa, porque não necessitam aprender uma música nova, é só associar aquela que já se ouviu, decorando de forma mais fácil”, alega o produtor musical Joel Ferreira.
O impacto que esse recurso tem no resultado das votações não é definido. “É possível afirmar que jingles podem ajudar e impulsionar algumas campanhas. Mas ele não pode ser determinante na condução de uma vitória”, diz o professor de Ciência Política do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Tiago Borges.

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