Fumaça deve cobrir Santa Catarina mais uma vez nas próximas semanas
Florianópolis registrou na segunda (16) melhora na qualidade do ar depois de uma semana; expectativa é de estabilidade de quatro dias
DIÔGO BASTOS
“É uma sensação constante de angústia, de secura nos olhos. Meu nariz sangrou e até parei de praticar atividades físicas ao ar livre, nem o Sol eu consigo ver direito, tá sempre tudo tão cinza”, afirma Geórgia Silva, moradora de Florianópolis. A fala reflete o panorama das condições do ar no município e em Santa Catarina no mês de setembro. A fumaça, proveniente de incêndios florestais em todo o território nacional, principalmente no Norte, fez com que a qualidade do ar da capital fosse classificada como “ruim” e “muito ruim” pelo Ministério do Meio Ambiente. No dia 13, Florianópolis era a segunda pior cidade do Brasil no quesito.
As partículas de fuligem chegaram no dia 7, deram trégua no dia 16 e devem voltar no dia 20. “A frente fria que veio da Argentina trouxe normalidade momentânea. A fumaça agora está concentrada na região Sudeste e Centro-Oeste, mas, no meio da semana, o vento norte volta a se estabelecer e provavelmente novas partículas de fumaça vão chegar ao Sul”, afirma o meteorologista Fernando Rafael, da Defesa Civil de Santa Catarina. A expectativa é que a fumaça suma totalmente a partir de outubro, com o início do período chuvoso no interior do Brasil.
Os incêndios antropológicos (com interferência humana) e a pior estiagem desde os anos 1950, em uma ação coordenada, ganharam força e a fumaça se espalhou rapidamente na atmosfera através dos chamados “rios voadores” (correntes de vento a mais de 2 mil metros de altura, que carregam as partículas atmosféricas do norte para o sul).
A enfermeira Camila Passos, da Policlínica Municipal do Continente, alerta para os perigos de exposição contínua à fumaça. Segundo Camila, a inalação prolongada de ar contaminado pode levar ao desenvolvimento de condições respiratórias crônicas como bronquite e asma, além de agravar problemas existentes. “Ainda não tem como saber se todas as pessoas terão consequências graves, mas já sabemos que algumas sim. O correto é usar máscara em ambientes abertos que possuem a presença da fuligem”, afirma. Umidificadores e purificadores de ar também são recomendados para a prevenção de sintomas.

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