Pesquisadores da UFSC estudam desempenho cognitivo de hipertensos com auxílio de realidade virtual

Em jogos de simulação, voluntários reproduzem atividades cotidianas, desde dirigir a escovar os dentes

VALENTINA ORLANDI

Estudos apontam que a hipertensão compromete o desempenho cognitivo em atividades rotineiras. Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Neurociências estudam os efeitos do uso da realidade virtual na cognição de hipertensos e os convidam a participar da pesquisa.

A hipertensão ou “pressão alta” é uma doença crônica que eleva a pressão sanguínea nas artérias. Dados do Ministério da Saúde indicam que 30 milhões de brasileiros têm a doença. Segundo a pesquisadora responsável pelo estudo, Iara Gonçalves Teixeira, cerca de 30% dos enfermos apresentam algum tipo de comprometimento cognitivo, o que dificulta as tarefas cotidianas, como dirigir e trabalhar. “Percebi que as pessoas estavam desenvolvendo comprometimento cognitivo muito cedo. Busquei uma intervenção que pudesse beneficiar essa população e surgiu o treinamento cognitivo”, explica.

Os treinos são exercícios mentais que reproduzem situações rotineiras em jogos de realidade virtual, feitos com o software NeuroSports Arena. Durante o treinamento, os voluntários simulam pegar objetos, escovar os dentes, fazer refeições, vestir roupas, entre outras.

A partir dos exercícios, os pesquisadores avaliam o efeito do treino no desempenho cognitivo dos voluntários e possíveis mecanismos associados. O coordenador Guilherme Speretta busca chamar interessados por meio da ferramenta. “Decidimos utilizar a realidade virtual, pensando em possibilitar maior interesse aos participantes durante a sessão”, argumenta.

Os interessados passam por entrevista e rápida testagem cognitiva no CardioVasc Lab da UFSC, em Florianópolis, para avaliar os critérios de participação. Caso sejam selecionados, frequentam o laboratório duas vezes por semana durante dois meses. Até o momento, a pesquisa tem quatro voluntários.

O candidato deve atender aos seguintes critérios: ter entre 45 e 60 anos; ser hipertenso e estar em tratamento; e apresentar comprometimento cognitivo. As mulheres também devem estar na menopausa. Serão excluídos os que tiverem menos de quatro anos de escolaridade; histórico cardíaco; deficiências visual ou auditiva não corrigida; deficiências na motricidade das mãos; deficiência na fala; diagnóstico de transtornos mentais; e mulheres com menopausa precoce. 

Quem deseja colaborar deve entrar em contato com a pesquisadora Iara pelo WhatsApp (48) 99655-0952.

Simulação de como é realizado o treinamento com óculos de realidade virtual. Foto: Programa de Pós-Graduação em Neurociências UFSC

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