Categorias em greve de Santa Catarina realizam ato unificado em Florianópolis
Ato ocorreu no campus Trindade da UFSC e reuniu cerca de 400 grevistas
IARA ROCHA
“Para barrar a precarização, greve geral da educação!”, gritavam professores, estudantes e técnicos em greve durante ato unificado em defesa da educação pública na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) nesta segunda-feira (3). A mobilização, realizada pelos comandos de greve das universidades e institutos federais de educação de Santa Catarina, reuniu cerca de 400 pessoas no campus Trindade da UFSC, em Florianópolis. O movimento faz parte do Ato Nacional em Defesa da Educação.
O Ato Nacional foi organizado pelos sindicatos à frente da greve nacional pela educação, o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), e a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), entidade representativa dos técnicos-administrativos em educação (TAEs).
Na UFSC, o ato começou às 14h com uma passagem dos grevistas em torno do campus. A partir da Praça da Cidadania, o grupo saiu pela rotatória da Trindade, passou em frente ao Anexo 2 da Reitoria e à Moradia Estudantil e retornaram à universidade pela entrada da Carvoeira. Durante a passeata, os grevistas entregaram panfletos com as motivações dos grupos e entoaram frases em apoio a manutenção da educação pública.
Após o retorno ao campus, o grupo se dirigiu ao auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos, onde acontecia uma reunião do Fórum Nacional de Pró-reitores de Extensão das Instituições Públicas de Ensino Superior Brasileiras (FORPROEX). A programação foi finalizada com um momento para sarau, músicas e falas na Praça da Cidadania, das 16h às 18h.
O presidente do FORPROEX, Hélder Eterno da Silveira apoiou o ato e ressaltou que o governo ainda não apresentou uma proposta consistente em relação às demandas das instituições de educação superior. “Esta luta é nossa, e hoje vocês deram uma aula de democracia, de luta pelos nossos direitos na educação. Estamos todos juntos!”, discursou.




A professora e membro do Comando Unificado de Greve da UFSC Mailiz Garibotti Lusa explica que a mobilização demonstra unidade ao reunir servidores de todo o estado. “É um ato politicamente importante porque reúne as categorias não só da UFSC, mas também dos Institutos Federais em Educação de Santa Catarina, para além da Grande Florianópolis”.
Mailiz destaca que o governo federal tem sido inflexível com as tentativas de negociação. “A recomposição orçamentária e o reajuste da carreira dos TAEs e docentes são pautas negociadas desde 2023”, reforça a professora, que afirma que desde então uma nova tratativa é feita com o governo toda semana, sem sucesso.
A última contraproposta apresentada pela União ocorreu na 5ª Mesa Específica e Temporária do Magistério Federal, em 15 de maio, oferecida pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O governo propôs um reajuste salarial de 9% em 2025 e 3,5% em 2026 para os docentes. Originalmente, a proposta apresentada pelos sindicatos previa um reajuste de 3,69% em agosto de 2024, 9% em janeiro de 2025 e 5,16% em maio de 2026.
A Andes e o Sinasefe se reuniram com o governo, nesta segunda-feira (3) para retomar as negociações sobre as pautas das categorias em greve. A reunião acontece após a invalidação do acordo firmado entre a União e a Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes) em 29 de maio, que determinava o fim da greve nacional dos docentes.
Uma nova mesa de negociação com os professores será realizada na em 14 de julho, e outra com os TAEs em 21 julho, ambas no Ministério da Educação (MEC).
Nilton Silva e Humberto Oliveira, professores do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) no campus São José, explicam que o ato é uma forma de denúncia contra a omissão do MEC em relação aos recursos e verbas financeiras das universidades e institutos federais. “A conservação dos prédios é lamentável, assim como a defasagem salarial dos docentes e dos TAEs, que é uma ofensa pro trabalhador que trabalha há nove anos sem ter reajuste salarial”, afirma Nilton.
“Temos a expectativa que a partir de hoje, em que parece que a gente venceu uma etapa, isso evolua rápido”, relata Nilton sobre o atendimento das demandas das categorias e o fim da greve. Humberto completa que se nada for feito, a rede federal vai “esfarelar”.
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