Maior operação de socorro em SC registra acionamento total de equipes de bombeiros

Enchentes em SC atingiram 53% dos municípios do estado

IARA ROCHA

A maior mobilização de Forças-Tarefa (FT) do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) registrada no estado ocorreu durante as enchentes de outubro. Do dia 3 a 20, todas as 15 FTs de Santa Catarina foram acionadas para trabalho. Desde 2011, ano de criação das equipes, o fato nunca tinha ocorrido.

Cidades em situação de emergência e calamidade das regiões do Alto Vale, Planalto Norte e Grande Florianópolis foram atendidas pelas FTs. O CBMSC contabilizou a presença de 1.632 bombeiros durante a operação e o atendimento a 2.142 ocorrências. 

O coronel Fabiano de Souza, diretor-geral do CBMSC, participou da coletiva do governo de Santa Catarina na segunda-feira, 23. Em seu relato, afirma que “o desastre de 2023 já mostra ser um dos maiores da história, e para alguns casos, o maior já visto”. Como exemplo, o coronel pontua Taió,  por enfrentar a maior enchente da história do município com 456 mm de chuva, do dia 3 a 23 de outubro.

Fabiano comparou as enchentes recentes com uma das piores tragédias registradas no estado, as cheias de 2008. Em registro do CBMSC, 153 municípios foram atingidos em 2008, e 12 estavam em situação de calamidade. Em 2023, o número aumenta para 159, sendo 4 em calamidade, o que totaliza 53% dos municípios do estado atingidos pela enchente.

O número de pessoas atingidas quase triplicou de um desastre para outro. Em 2008, 1,3 milhão de cidadãos foram prejudicados, enquanto em 2023, o número chegou a 3,6 milhões de atingidos. Um aspecto relacionado ao aumento da população acometida foi o vertimento inédito das três barragens de Santa Catarina ao mesmo tempo, localizadas em Ituporanga, José Boiteux e Taió.

Sobre os resultados da enchente, Fabiano argumenta que “os danos não foram mais numerosos por causa das ações emergenciais efetuadas desde a primeira onda de precipitação”. Segundo ele, os avisos e alertas realizados pelo governo antes do início das chuvas e as operações feitas nas barragens pelos bombeiros colaboraram para que o resultado das cheias fosse aliviado.

O secretário de Estado de Planejamento, Edgard Usuy, apresentou o Grupo de Trabalho (GT) Proteção Levada a Sério, criado para pensar em maneiras de amenizar os impactos da enchente. “O GT procura projetos, propostas e ações que atualizem estudos sobre a estrutura do estado para que Santa Catarina seja mais resiliente, porque o clima não conseguimos controlar”, explica o secretário. Monitoramento de barragens e melhoria do trabalho fluvial e de escoamento estão na ementa do projeto.

Grupo de bombeiros durante atendimento em Rio do Sul, município em estado de calamidade. Foto: Reprodução/CBMSC

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