Esgoto deixa 15 praias de Florianópolis impróprias para banho à véspera do verão

Expectativa é de 2,5 milhões de turistas na época de veraneio

DIÔGO BASTOS

Duzentos mil habitantes de Florianópolis não possuem serviço de coleta e tratamento de esgoto. O resultado são 15 praias impróprias para banho, segundo levantamento feito na quinta-feira (31) pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) em 87 áreas de praia da capital.

“É triste só poder tirar foto de um lugar tão bonito e não poder entrar na água. Tem um cheiro muito esquisito e a placa indicando que está impróprio para banho afasta as pessoas”, diz a auxiliar de escritório e visitante da avenida Beira-Mar Norte Michele de Oliveira.

Turistas olhando galerias de esgoto na avenida Beira-Mar Norte, parte central de Florianópolis. Foto: Diôgo Bastos

Segundo a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN), em tempos de chuva torna-se obrigatório abrir as tampas que evitam o despejo do esgoto das galerias pluviais ao mar. De acordo com a empresa, o sistema atual não resiste a volumes tão grandes de água, e outra estrutura que comportasse os níveis da chuva seria inviável. O nível pluviométrico de outubro em Florianópolis esteve acima da média em comparação a outros anos, registrando 200mm. Os dados são da Defesa Civil de Santa Catarina.

Conforme o Instituto Trata Brasil, 58% do esgoto coletado no território nacional não é tratado. Florianópolis ocupa a 15ª posição no ranking de capitais, com 69% de coleta e  tratamento. Em primeiro está Curitiba, com 99% de coleta e 97% de tratamento. A meta da prefeitura da capital catarinense é atingir 90% de cobertura do esgoto até 2033.

“Somos uma referência do que não fazer. Fora de temporada, o ambiente [das praias de Florianópolis] é muito agradável, mas quando chega o verão, é possível perceber o odor vindo do mar. Não tem mais o cheiro da brisa litorânea, apenas esgoto proveniente do grande número de pessoas usando um serviço que está falho”, afirma o oceanógrafo Paulo Roberto Pagliosa.

Em decorrência da finalização incorreta e o não tratamento do esgoto coletado, casos de viroses tornam-se comuns  na alta temporada de turistas. Em janeiro de 2023, 3,2 mil surtos de diarreia foram registrados em Florianópolis após a poluição por esgoto no Rio do Brás, que deságua na praia de Canasvieiras.

Relatórios divulgados pelo IMA mostram que, na mesma época, apenas 15 praias da cidade estavam próprias para banho. “A virose acaba sendo comum justamente porque  há um aumento na população. Vejo relatos de pessoas que vão para a praia para se divertir e acabam voltando doentes”, declara o empresário e morador da região Diego Ramos.

Para o verão de 2025, o IMA lançou um cronograma semanal público de análises e coletas em 238 pontos de todo o estado. O aumento de frequência traz resposta mais eficiente e rápida das condições sanitárias da praia à população.

Placa com o aviso “Imprópria para banho” na praia da Beira-Mar Norte. Foto: Diôgo Bastos, Reprodução

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