UFSC realiza pesquisa sobre violência política de gênero na América Latina e Caribe

Projeto está em fase de mapeamento das condições da participação feminina no processo eleitoral

CAMILA BORGES

Violências sofridas por mulheres que ocupam espaços de poder são o tema da pesquisa “Participação política e enfrentamento às violências de gênero e raça na América Latina e Caribe”, lançada em 30 de abril na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no Centro de Eventos do campus Trindade, em Florianópolis. 

O estudo é realizado pela UFSC e coordenado pela Cátedra Antonieta de Barros e Cátedra Unesco de Educação, com apoio de R$ 200 mil do Ministério das Mulheres. No final da pesquisa, que tem vigência de 12 meses, será desenvolvido um guia de enfrentamento à violência política de gênero.

A vice-reitora da UFSC e coordenadora geral do estudo, Joana Célia dos Passos, diz que as ações do projeto incluem a análise das perseguições que as parlamentares sofrem e o estudo de estratégias legais para auxiliar as mulheres no avanço político.


“Queremos recomendar orientações educativas e punitivas que coíbam violências políticas e de gênero contra as mulheres na América Latina e Caribe”, explica Joana. 


O estudo está na fase da pesquisa exploratória que busca identificar as condições da participação feminina no processo eleitoral. Os dados estão sendo coletados de maneira online, por meio da análise da composição das casas legislativas nos países da América Latina e Caribe. Na segunda etapa, estão previstas visitas presenciais às casas legislativas dos países que compõem o escopo do estudo, a elaboração do perfil das parlamentares e a produção de um relatório a partir da intersecção de fatores como gênero, raça e etnia.

Joana afirma que, na fase atual, a equipe enfrenta dificuldades para encontrar informações nos sites. Muitos portais estão desatualizados e não possuem dados sobre a composição dos parlamentos. De acordo com a vice-reitora, entrar em contato com as vítimas da violência política de gênero tem sido difícil, pois são “temas delicados e que apontam para alto índice das violências políticas vivenciadas nesses países.”


“A violência política não é novidade, mas ela sempre foi naturalizada”, defende a secretária Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Carmen Foro, que esteve no lançamento da pesquisa. 


Para Carmen, o estudo é importante para realizar avanços no que diz respeito à legislação e aos mecanismos para combatermos as inúmeras violências que as mulheres sofrem diariamente.

A deputada federal Carla Ayres (PT) discursou no evento sobre as diversas violências políticas que as mulheres sofrem. Carla apontou que o estudo “é fundamental para ter um cenário mais nítido sobre a participação das mulheres no nosso continente e pode contribuir na formulação de políticas públicas para combater essa violência em nossos países”.

A equipe da pesquisa é composta por uma coordenação geral, três bolsistas de pesquisa e três professoras. Os integrantes são ligados ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH), Programa de Pós-Graduação em Ciências Jurídicas (PPGD) e Programa de Pós Graduação em Antropologia (PPGAS). 

O Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre as Violências (Nuvic), o Diferença, Arte Educação (Aletritas) e o Instituto de Estudos de Gênero (IEG) são núcleos de pesquisa vinculados ao projeto.

Lançamento da pesquisa “Participação política e enfrentamento às violências de gênero e raça na América Latina e Caribe”. Foto: Divulgação/UFSC

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