Professores da UFSC encerram greve após 40 dias
Retorno às atividades laborais acontece nesta terça-feira (18), mas categoria segue engajada com comitê permanente de mobilização
MAITÊ SILVEIRA
Fragmentação da categoria, esvaziamento da mobilização e pressão institucional pautaram a decisão dos professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) de encerrar a greve nesta segunda-feira (17). Em Assembleia Permanente de Greve no auditório do Espaço Físico Integrado 1 (EFI-1), do campus Trindade em Florianópolis, 206 professores deliberaram pelo fim da greve, com a retomada das atividades laborais na terça-feira (18). Outros 25 optaram pela manutenção do movimento e 5 se abstiveram, incluindo os presentes na transmissão online.
O Comando Local de Greve Docente ressaltou que a decisão não implica a volta imediata às aulas, visto que os estudantes e técnicos-administrativos em educação (TAEs) continuam paralisados.
Uma saída coletiva da paralisação foi a proposta defendida pela maioria dos presentes. O último docente em greve do Departamento de Física, Lucas Nicolao, destacou a adesão heterogênea desde a deflagração da greve, que seguiu fragmentada.
“Além da marginalização institucional, tivemos que lutar contra o próprio sindicato que buscou meios legais de invisibilizar a paralisação”, declarou Nicolao.
Desde 7 de maio, os grevistas reivindicavam a recomposição orçamentária da universidade, a reconstrução do plano de carreira e o reajuste salarial da categoria. Na sessão, os professores expuseram descontentamento com as propostas do governo federal, mas reconheceram pouca abertura para maiores negociações.
Para o professor do Centro de Ciências Agrárias (CCA) Tiago Montagna, “é preciso reconhecer a insuficiência do que foi proposto”. Do Departamento de Psicologia, a professora Tatiana Minchoni também classificou as conquistas como parciais e limitadas. “Falta muito para isso ser uma vitória, mas devemos valorizar os avanços nessa conjuntura de apatia, pressão e assédio institucional”, disse.
O reajuste salarial para 2024 se manteve em zero, enquanto para 2025 e 2026 será de 9% e 3,5%, respectivamente. Segundo o Comando, os R$ 5,5 bilhões anunciados pela União para as universidades e hospitais universitários representam 4% dos 19,3% da recomposição orçamentária solicitada.
A professora do Centro de Ciências da Educação (CED) Soraya Franzoni compartilhou a avaliação do Comando sobre as negociações. Conforme Soraya, os reajustes são deficitários em relação a outros servidores públicos.
“O governo não prevê recursos de fato suficientes para a manutenção das estruturas já vigentes. Adiante, falar em expansão é preocupante e até mesmo irresponsável”, criticou.
Dada a vontade dos docentes de permanecerem mobilizados em apoio aos estudantes e TAEs pela defesa da educação pública, a assembleia aprovou um comitê permanente de mobilização docente, aberto e horizontal, para dialogar com as categorias.
Outro ponto apreciado foi a intensificação da campanha para desfiliar Sindicato de Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (Apufsc-Sindical) à Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes).
O Comando acusa a Apufsc-Sindical de manipular os meios de comunicação e alcance do movimento grevista durante a última votação realizada pelo sindicato entre 21 e 24 de maio, que deliberou o fim da greve.
A fim de esclarecer a comunidade sobre a deliberação dos docentes, um comunicado sobre a volta às atividades laborais e o fim das paralisações foi redigido e publicado pelo Comando Local de Greve Docente.

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