{"id":820,"date":"2023-04-05T16:59:00","date_gmt":"2023-04-05T19:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/?p=820"},"modified":"2024-04-12T21:29:05","modified_gmt":"2024-04-13T00:29:05","slug":"o-peso-da-precarizacao-como-e-o-trabalho-de-quem-sobe-o-morro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/index.php\/2023\/04\/05\/o-peso-da-precarizacao-como-e-o-trabalho-de-quem-sobe-o-morro\/","title":{"rendered":"O peso da precariza\u00e7\u00e3o: como \u00e9 o trabalho de quem sobe o morro"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Um olhar sobre as linhas de \u00f4nibus mais desafiadoras na cidade da imobilidade urbana<\/em><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"height:32px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ARTHUR ALVES, CAMILA ELOISA E FERNANDA ZWIRTES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Embreagem, freio, acelerador, comunidade<\/strong>. Imagine dirigir um \u00f4nibus que pesa mais de 17 toneladas, seguindo a linha <em>Morro do Hor\u00e1cio via Mauro Ramos<\/em>, em uma quarta-feira, final da tarde,&nbsp; hor\u00e1rio de pico com mais de 60 pessoas dentro do ve\u00edculo. As ruas s\u00e3o \u00edngremes, quase verticais e carros estacionados dificultam o caminho, que \u00e9 percorrido em estradas largas o bastante para apenas um ve\u00edculo. Este trajeto \u00e9 considerado pelos motoristas um dos mais dif\u00edceis de ser feito. N\u00e3o \u00e9 por acaso que nem todos os motoristas sabem cumprir esta viagem com maestria, e os que conseguem, s\u00e3o escalados apenas para essa fun\u00e7\u00e3o. O grande pavor para os condutores que percorrem as \u201clinhas de baixo\u201d, termo utilizado pelos motoristas para definir as rotas comuns, \u00e9 ser escalado para os trajetos com morros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e9lio tem mais de oito anos de experi\u00eancia e est\u00e1 acostumado a percorrer o caminho, realizando in\u00fameras manobras complexas para fazer as curvas em ruas \u00edngremes. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para erros.&nbsp; Na melhor das hip\u00f3teses, o ve\u00edculo ser\u00e1 guinchado, provocando um enorme transtorno para o condutor, passageiros e para as pessoas que passam pelo morro. A press\u00e3o j\u00e1 virou rotina. Apesar de encontrar in\u00fameros obst\u00e1culos durante o trajeto, H\u00e9lio acabou naturalizando sua realidade desafiadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O companheiro de trabalho, Hermes, tamb\u00e9m exerce importante fun\u00e7\u00e3o. Cobrador h\u00e1 treze anos, ele auxilia os passageiros, controla o fluxo de pessoas dentro do \u00f4nibus, orienta a abertura e o fechamento das portas, faz a cobran\u00e7a das passagens e outras tarefas que H\u00e9lio, ocupado com as tortuosas e estreitas ruas do morro, n\u00e3o pode cuidar. Diversos s\u00e3o os trechos perigosos conhecidos entre os motoristas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao fazer mais uma manobra, H\u00e9lio descreve um deles. Na linha <em>769 &#8211; Morro Nova Trento<\/em>, uma curva \u00e9 conhecida como a \u201cCurva dos Guinchos\u201d.&nbsp; Ela tem esse nome porque o m\u00ednimo deslize leva o \u00f4nibus a ficar completamente travado, impedindo o tr\u00e2nsito. Nessa situa\u00e7\u00e3o, dois guinchos precisam ir ao local para conseguir retirar o ve\u00edculo. \u201cQuase morri quando precisei fazer essa linha assim que entrei na empresa\u201d, relata H\u00e9lio, com um sorriso no rosto, lembrando o nervosismo que sentiu. \u201cOs motoristas mais velhos j\u00e1 sabem como tirar o \u00f4nibus, fazendo uma manobra que parece quase um truque de m\u00e1gica, mas os novatos sempre correm o risco de deixar o ve\u00edculo preso\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de exercerem fun\u00e7\u00f5es mais desafiadoras do que os motoristas das \u201clinhas de baixo\u201d, o sal\u00e1rio \u00e9 o mesmo. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbanos (SINTRATURB), o piso salarial \u00e9 de R$2.984,00 para uma jornada de trabalho de 42 horas por semana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O of\u00edcio \u00e9 exaustivo: sete horas di\u00e1rias durante a semana e sete horas aos finais de semana. Durante anos, quem sobe o morro sacrifica s\u00e1bados, domingos e feriados, com um sal\u00e1rio incompat\u00edvel com o cansa\u00e7o e a dificuldade adicional. A escala \u00e9 apertada: Hermes ressalta que s\u00e3o raras as vezes que os hor\u00e1rios previstos pela ger\u00eancia s\u00e3o cumpridos, gerando atrasos e transtornos. N\u00e3o \u00e9 incomum que motorista e cobrador fiquem sem intervalos de descanso,&nbsp; devido ao tr\u00e2nsito ou a imprevistos na rota.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de necessitar cumprir o hor\u00e1rio com pontualidade invej\u00e1vel, H\u00e9lio e quem sobe o morro tamb\u00e9m precisam ter paci\u00eancia e criatividade. \u201cLidar com o p\u00fablico \u00e9 estressante, e precisamos de jogo de cintura para sair de algumas situa\u00e7\u00f5es\u201d. H\u00e9lio concorda: algumas ocorr\u00eancias exigem sair do protocolo para que a linha n\u00e3o atrase e n\u00e3o ocorram problemas para quem depende do servi\u00e7o de transporte p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"755\" height=\"502\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/imagem_2024-03-29_170604860.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-824\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/imagem_2024-03-29_170604860.png 755w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/imagem_2024-03-29_170604860-300x199.png 300w\" sizes=\"(max-width: 755px) 100vw, 755px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Trajetos com morros e ruas \u00edngremes desafiam habilidade de motoristas. <em>Foto: Cintia de Oliveira<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>As Empresas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem emprega H\u00e9lio, Hermes e os demais motoristas \u00e9 o Cons\u00f3rcio F\u00eanix, que presta servi\u00e7os \u00e0 Prefeitura de Florian\u00f3polis. Durante a pandemia, o Cons\u00f3rcio demitiu mais de 1.200 funcion\u00e1rios, em maioria cobradores, em uma a\u00e7\u00e3o acordada com o SINTRATURB. A resolu\u00e7\u00e3o entre as empresas e o sindicato era que os funcion\u00e1rios demitidos recebessem sua rescis\u00e3o ao longo de dezesseis meses, fato que n\u00e3o chegou a sair do papel. \u201cAs empresas queriam pagar a rescis\u00e3o em 24 meses, nossa oferta era que fosse em apenas 12 e acabamos concordando em 16 meses, em decis\u00e3o com assembleia dos trabalhadores\u201d, relata Ant\u00f4nio Carlos Martins, secret\u00e1rio de organiza\u00e7\u00e3o do sindicato. \u201cEles pagaram duas parcelas e entraram em recupera\u00e7\u00e3o judicial, n\u00e3o cumprindo com o acordo\u201d, confirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois meses ap\u00f3s a decis\u00e3o, seis companhias de transporte urbano entraram em estado de recupera\u00e7\u00e3o judicial. Destas, cinco n\u00e3o pagaram as pend\u00eancias at\u00e9 hoje: Estrela, Insular, Emflotur, Jotur e Bigua\u00e7u. As empresas Canasvieiras e Transol foram as \u00fanicas que ressarciram os direitos trabalhistas devidos, e somente a Transol n\u00e3o entrou em recupera\u00e7\u00e3o judicial dentre as membros do Cons\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para alguns motoristas, o sindicato falhou ao aceitar a proposta das empresas.&nbsp; Muitos ex-funcion\u00e1rios est\u00e3o sem previs\u00e3o para receber suas verbas de rescis\u00e3o. Ant\u00f4nio afirma que o coletivo sofreu um golpe das companhias. \u201cJamais imaginar\u00edamos que eles iam entrar em recupera\u00e7\u00e3o judicial. Estamos enfrentando uma batalha para garantir nossos direitos\u201d, alegou.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Sindicato<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde 2000, a press\u00e3o para o fim do cargo de cobrador no transporte p\u00fablico de Florian\u00f3polis cresce, e s\u00f3 n\u00e3o se concretizou at\u00e9 agora devido \u00e0 resist\u00eancia do sindicato e da categoria. Ant\u00f4nio Carlos afirma que, em 2015, com a cria\u00e7\u00e3o do Cons\u00f3rcio F\u00eanix, o clima ficou ainda mais inst\u00e1vel para os trabalhadores. Uma das vit\u00f3rias do sindicato foi conseguir manter o emprego de 100% dos cobradores, mas em 2020 isso mudou. A inten\u00e7\u00e3o das empresas era reduzir o n\u00famero em at\u00e9 50%, fato que acarretaria em uma demiss\u00e3o de centenas de funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da luta, o poder de decis\u00e3o das empresas avan\u00e7ou com a pandemia e p\u00f4s fim \u00e0 estabilidade empregat\u00edcia dos trabalhadores. Com a falta de participa\u00e7\u00e3o presencial dos trabalhadores nas assembleias, o sindicato viu sua influ\u00eancia retroceder. \u201cA categoria ficou fragilizada, com medo. N\u00e3o t\u00ednhamos estrutura para fazer uma mobiliza\u00e7\u00e3o\u201d, relata Ant\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com as mudan\u00e7as estruturais nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho que se consolidaram nos \u00faltimos anos, at\u00e9 mesmo trabalhos formais com direitos garantidos por lei sofrem os efeitos da precariza\u00e7\u00e3o. O advogado trabalhista Prudente Jos\u00e9 Mello defende que o avan\u00e7o do neoliberalismo faz com que a luta sindical seja cada vez mais silenciada e que a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho surja como um produto direto dessa situa\u00e7\u00e3o. \u201cHoje, os sindicatos s\u00e3o vistos como inimigos e existe um movimento neoliberal para destruir a rela\u00e7\u00e3o existente entre as organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores; tudo que contrap\u00f5e essa l\u00f3gica conservadora das estruturas de poder \u00e9 considerado inimigo\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Estresse<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o motorista H\u00e9lio e o cobrador Hermes, tudo isto est\u00e1 no plano de fundo ao come\u00e7ar a subida da linha do Monte Serrat. O grande desafio nessa rota s\u00e3o os outros ve\u00edculos, principalmente os carros que sobem o morro para cortar caminho em dias de muita fila na Avenida Beira Mar e no T\u00fanel Antonieta de Barros, algo que muitas vezes impossibilita a passagem de um \u00f4nibus na estreita Rua General Rosinha. Enquanto mais passageiros embarcam, H\u00e9lio relata os diversos percal\u00e7os durante a viagem. \u201cNesta linha, sai um \u00f4nibus antes de n\u00f3s que talvez esteja descendo quando a gente estiver subindo, e se isso acontecer tenho que dar r\u00e9 at\u00e9 ele conseguir passar pela gente\u201d, relata. H\u00e9lio ainda conta que testemunha situa\u00e7\u00f5es de risco diariamente. \u201cUma vez, chegamos a bater o \u00f4nibus cinco vezes em postes ou muros porque n\u00e3o havia espa\u00e7o\u201d, conclui o motorista. Essas situa\u00e7\u00f5es precisam ser comunicadas \u00e0 empresa, que avalia se houve falha na condu\u00e7\u00e3o ou se era inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nossa reportagem acompanhou um pouco do cotidiano desses profissionais. Uma das viagens ao Monte Serrat come\u00e7a tranquila. O \u00f4nibus sai com os assentos lotados, e poucas pessoas em p\u00e9. No momento que o sol se p\u00f5e na cidade, come\u00e7a a subida na rua General Rosinha, \u00edngreme e estreita. Tudo segue calmo e n\u00f3s perguntamos a H\u00e9lio se \u00e9 sempre assim. \u201cN\u00e3o, hoje est\u00e1 muito tranquilo\u201d. Ap\u00f3s uma curva, ele d\u00e1 de cara com o \u00f4nibus em sentido contr\u00e1rio, que havia sa\u00eddo dez minutos antes. Ser\u00e1 necess\u00e1rio dar r\u00e9. \u201cMelhor eu descer do que ele\u201d, sentencia o motorista. A partir da\u00ed, H\u00e9lio realiza seu trabalho com uma precis\u00e3o quase sobre-humana: conduz um \u00f4nibus lotado de 17 toneladas de r\u00e9 por cem metros, em uma rua extremamente \u00edngreme, sem qualquer incidente. Ap\u00f3s o sufoco, que surpreende e apavora os passageiros, H\u00e9lio e Hermes seguem tranquilamente o trajeto, e n\u00e3o parecem estar impressionados por terem acabado de executar uma manobra extremamente complexa e perigosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e9lio comenta que a linha do Monte Serrat \u00e9 a mais estressante para ele. Perguntamos o porqu\u00ea. S\u00e3o os passageiros? O tr\u00e2nsito? A falta de espa\u00e7o? A impossibilidade de ir pra frente por conta de outros carros? \u201cTudo isso que voc\u00ea falou e mais um pouco\u201d, ele responde, sucinto. Ainda relata que uma vez precisou esperar uma hora ap\u00f3s come\u00e7ar a subida, pois o caminho estava bloqueado por uma opera\u00e7\u00e3o policial na rua utilizada pelo \u00f4nibus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os motoristas concordam: a profiss\u00e3o \u00e9 estressante. Fisicamente, o manuseio do pedal de embreagem deixa a perna esquerda cansada e enfraquecida. Mentalmente, a constante aten\u00e7\u00e3o ao tr\u00e2nsito pesado de Florian\u00f3polis e outras preocupa\u00e7\u00f5es do of\u00edcio tamb\u00e9m cobram seu pre\u00e7o. Em linhas sem cobrador, o estresse se multiplica. Cuidar do dinheiro e da seguran\u00e7a dos passageiros, al\u00e9m de perder o pouco tempo livre devido aos atrasos inerentes \u00e0 uma viagem onde o motorista precisa cobrar os usu\u00e1rios do transporte, s\u00e3o alguns dos motivos que causaram um aumento nos afastamentos por estresse, afirma o secret\u00e1rio Ant\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O advogado Prudente Mello defende que a qualidade de vida do trabalhador est\u00e1 intrinsecamente relacionada com seus direitos trabalhistas e a prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.\u201cSe voc\u00ea trabalha no seu intervalo, voc\u00ea est\u00e1 diminuindo a qualidade de vida e suas condi\u00e7\u00f5es para voc\u00ea garantir uma vida saud\u00e1vel\u201d, relata. \u201cSe voc\u00ea trabalha e n\u00e3o tem intervalo de uma hora ou duas horas e voc\u00ea come desesperadamente para voc\u00ea voltar ao trabalho, obviamente o seu organismo, a sua mente, o seu corpo v\u00e3o sofrer por isso\u201d, exemplifica. Ao fim da linha Monte Serrat, H\u00e9lio e Hermes fazem um intervalo de vinte minutos, o \u00fanico planejado entre suas sete horas de trabalho. Deveria ter sido trinta minutos, mas a rota acabou atrasando e eles seguiram novamente ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A pr\u00f3xima parada<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 1\u00ba de maio, uma nova decis\u00e3o deve ocorrer para a categoria: a perman\u00eancia ou n\u00e3o dos 330 cobradores da Grande Florian\u00f3polis. Hermes \u00e9 um deles, que ainda est\u00e1 ativo ap\u00f3s as demiss\u00f5es em massa por conta da pandemia, pois sua presen\u00e7a nas linhas do morro \u00e9 considerada essencial em um trajeto t\u00e3o dificultoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa das viagens que a reportagem acompanhou, motorista, cobrador e passageiros conversam e citam a necessidade dos cobradores para a opera\u00e7\u00e3o dos \u00f4nibus. H\u00e9lio relata que sem a ajuda do cobrador, opera em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e a seguran\u00e7a de todos entra em xeque. \u201cO risco de um passageiro ser prensado pelas portas ou de acontecer um furto no caixa do \u00f4nibus quando eu preciso descer para ajudar um cadeirante \u00e9 muito maior sem a presen\u00e7a de uma segunda pessoa\u201d, afirma o motorista. Os passageiros concordam: a viagem sempre atrasa quando o cobrador est\u00e1 ausente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o bastasse lidar com embreagem, freio, acelerador, comunidade, <strong>adicione passageiros, portas, dinheiro, troco, passagem, acessibilidade e a necessidade de cumprir hor\u00e1rios.<\/strong> Imagine o qu\u00e3o desesperador deve ser ganhar um sal\u00e1rio que n\u00e3o valoriza as habilidades que voc\u00ea possui, que n\u00e3o compensa o estresse e o esfor\u00e7o di\u00e1rio e ainda temer, no final do dia, acordar sem seu emprego. As linhas que sobem o morro n\u00e3o carregam apenas as toneladas de metal e centenas de passageiros diariamente &#8211; elas tamb\u00e9m levam o peso da precariza\u00e7\u00e3o de um trabalho essencial para o cotidiano da Ilha e o descaso da iniciativa privada com a dignidade humana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-text-align-left\"><blockquote><p><em>Os nomes H\u00e9lio e Hermes s\u00e3o fict\u00edcios<\/em>.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"753\" height=\"502\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/imagem_2024-03-29_171209355.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-825\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/imagem_2024-03-29_171209355.png 753w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/imagem_2024-03-29_171209355-300x200.png 300w\" sizes=\"(max-width: 753px) 100vw, 753px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rotinas estressantes dos motoristas s\u00e3o agravadas pela falta de cobradores. <em>Foto: Cintia de Oliveira<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Reportagem produzida para a 1\u00b0 Semana de Produ\u00e7\u00e3o Jornal\u00edstica do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Link para mat\u00e9ria original: <a href=\"https:\/\/spjjorufsc.wixsite.com\/especial-trabalho-pr\/post\/o-peso-da-precariza\u00e7\u00e3o-como-\u00e9-o-trabalho-de-quem-sobe-o-morro\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">https:\/\/spjjorufsc.wixsite.com\/especial-trabalho-pr\/post\/o-peso-da-precariza\u00e7\u00e3o-como-\u00e9-o-trabalho-de-quem-sobe-o-morro<\/mark><\/a><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um olhar sobre as linhas de \u00f4nibus mais desafiadoras na cidade da imobilidade urbana ARTHUR ALVES, CAMILA ELOISA E FERNANDA ZWIRTES Embreagem, freio, acelerador, comunidade. 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