{"id":2819,"date":"2026-06-01T19:23:09","date_gmt":"2026-06-01T22:23:09","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/?p=2819"},"modified":"2026-09-01T19:25:16","modified_gmt":"2026-09-01T22:25:16","slug":"o-desafio-de-garantir-o-bem-viver-na-terceira-idade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/index.php\/2026\/06\/01\/o-desafio-de-garantir-o-bem-viver-na-terceira-idade\/","title":{"rendered":"O desafio de garantir o bem-viver na terceira idade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Crescimento de popula\u00e7\u00e3o idosa em Florian\u00f3polis mobiliza atendimento de sa\u00fade domiciliar, apoio a cuidadores e projetos de conviv\u00eancia<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:32px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JO\u00c3O HASSE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora aposentada Dezalda Dias observa da janela de sua casa as transforma\u00e7\u00f5es de Florian\u00f3polis, uma capital que se transfigurou, com o tempo, de uma antiga vila com tra\u00e7os rurais para uma metr\u00f3pole urbana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos 90 anos, Dezalda vive com limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, mas encontra nas sess\u00f5es&nbsp; de Fisioterapia o apoio para enfrentar os desafios do envelhecimento. Afastada das salas de aula, ela realiza atividades f\u00edsicas em casa e participa do grupo de idosos do bairro Pantanal, no cora\u00e7\u00e3o da Ilha, onde mora desde sua inf\u00e2ncia. \u201cAs ruas eram de barro, eu ia trabalhar de carro\u00e7a, mas hoje, as coisas mudaram\u201d, testemunha.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"923\" height=\"620\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-15.26.33.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2820\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-15.26.33.jpeg 923w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-15.26.33-300x202.jpeg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-15.26.33-768x516.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 923px) 100vw, 923px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A rotina programada entre os 10 filhos garante que Dezalda mantenha seu bem-estar sem precisar deixar o n\u00facleo familiar. No registro, a idosa aparece acompanhada de sua filha Josiane. Foto: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa mudan\u00e7a na vida de Dezalda mostra a realidade da capital catarinense, que hoje \u00e9 o lar de 91,6 mil idosos, segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Florian\u00f3polis ocupa o segundo lugar em n\u00famero de popula\u00e7\u00e3o idosa em Santa Catarina, atr\u00e1s apenas de Joinville. Os dados apontam que a capital atingiu a marca de 537,2 mil moradores, com um \u00edndice de crescimento anual estimado em 2,5%.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Florian\u00f3polis possui um \u00cdndice de Envelhecimento de 110,6 \u2014 maior que a m\u00e9dia estadual, de 83,2, e da nacional, de 80, ainda segundo o IBGE. Isso significa, na pr\u00e1tica, que existem 110,6 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 crian\u00e7as de at\u00e9 14 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa propor\u00e7\u00e3o altera a estrutura da pir\u00e2mide et\u00e1ria local ao reduzir a base e alargar o topo \u2014 movimento que indica um envelhecimento progressivo da popula\u00e7\u00e3o. Demograficamente, a transi\u00e7\u00e3o acontece devido \u00e0 queda no nascimento de beb\u00eas e ao aumento da expectativa de vida das pessoas no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pir\u00e2mide et\u00e1ria de Florian\u00f3polis<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"822\" height=\"705\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-15.26.43.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2821\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-15.26.43.jpeg 822w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-15.26.43-300x257.jpeg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-15.26.43-768x659.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 822px) 100vw, 822px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O \u00edndice populacional da capital catarinense possui idade mediana de 36 anos. Foto: IBGE\/Censo Demogr\u00e1fico 2022\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o professor Jos\u00e9 Messias Bastos, do Departamento de Geoci\u00eancias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o fen\u00f4meno est\u00e1 ligado ao processo hist\u00f3rico do pa\u00eds. O docente explica que, entre 1930 e 1980, o Brasil passou por um processo de industrializa\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o acelerado com alta taxa de natalidade, gerando uma pir\u00e2mide de base larga. Atualmente, o cen\u00e1rio mudou e a base da estrutura et\u00e1ria encolheu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o pesquisador, al\u00e9m do crescimento natural interno, a metr\u00f3pole atrai um fluxo migrat\u00f3rio espec\u00edfico. \u201cA cidade recebe idosos com 60 anos ou mais ou ainda adultos que est\u00e3o bem perto de chegar \u00e0 terceira idade\u201d. O especialista da UFSC aponta que fatores como a seguran\u00e7a, o alto \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) e as caracter\u00edsticas naturais da ilha s\u00e3o os principais atrativos para aposentados de m\u00e9dia e alta renda, como ju\u00edzes, m\u00e9dicos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, exemplifica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse cen\u00e1rio, o professor ressalta que o envelhecimento precisa ser pensado de forma integrada. \u201cEnvolve urbaniza\u00e7\u00e3o, acessibilidade, al\u00e9m dos impactos econ\u00f4micos e sociais na vida de quem envelhece\u201d, pontua. Na capital catarinense, esta uni\u00e3o ocorre entre os servi\u00e7os de assist\u00eancia social e a Secretaria Municipal de Sa\u00fade (SMS). A cidade adota as diretrizes da Estrat\u00e9gia Brasil Amigo da Pessoa Idosa (EBAPI), que virou a Lei Municipal 11.254 em 2024.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sa\u00fade perto de casa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proximidade do cuidado \u00e9 uma das estrat\u00e9gias de Florian\u00f3polis para lidar com este cen\u00e1rio desenhado pela migra\u00e7\u00e3o e pelo aumento da longevidade. Por meio da SMS, a Prefeitura divide o servi\u00e7o pelos bairros para que as equipes fiquem mais perto da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernanda Viana, M\u00e9dica de Fam\u00edlia e Comunidade do Departamento de Integra\u00e7\u00e3o Assistencial (DIA), explica&nbsp; que a cidade conta com 50 Centros de Sa\u00fade (CS), que funcionam como os postos locais, e detalha que cada uma dessas unidades possui uma equipe de Sa\u00fade da Fam\u00edlia. Segundo a profissional, as equipes s\u00e3o compostas por m\u00e9dicos, enfermeiros, t\u00e9cnicos em enfermagem, agentes ou t\u00e9cnicos comunit\u00e1rios de sa\u00fade, auxiliares de sa\u00fade bucal e dentistas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Criada pela av\u00f3, Fernanda conta que a escolha pela profiss\u00e3o nasceu inspirada pelo que vivenciou com sua pr\u00f3pria fam\u00edlia. Dentro de casa, ela p\u00f4de observar como as pessoas envelhecem de forma diferente e nem sempre com o mesmo acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos \u2014 o que voltou seu olhar, desde cedo, \u00e0 medicina da fam\u00edlia. Por isso, quando entrou na faculdade, j\u00e1 sabia qual caminho queria seguir. Para a profissional, o Estatuto da Pessoa Idosa \u00e9 a base legal que tenta garantir prote\u00e7\u00e3o integral, prioriza\u00e7\u00e3o e visibilidade para esta parcela da popula\u00e7\u00e3o que cresce de forma acelerada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na rotina dos bairros, o agente comunit\u00e1rio de sa\u00fade, junto com a equipe m\u00e9dica e de enfermagem, vai at\u00e9 a casa dos moradores que n\u00e3o conseguem caminhar ou se deslocar at\u00e9 os Centros de Sa\u00fade. A m\u00e9dica de fam\u00edlia e comunidade explica que a atua\u00e7\u00e3o destes profissionais funciona por meio do princ\u00edpio da equidade do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) \u201cO objetivo \u00e9 dar suporte priorit\u00e1rio&nbsp; aos&nbsp; cidad\u00e3os&nbsp; com&nbsp; maior&nbsp; vulnerabilidade\u201d, afirma.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernanda&nbsp; esclarece&nbsp; que&nbsp; os profissionais mapeiam a regi\u00e3o para identificar quem est\u00e1 restrito ao leito ou ao domic\u00edlio e que, a partir deste processo inicial de busca ativa e cadastramento das pessoas, \u00e9 poss\u00edvel assistir quem n\u00e3o pode ir at\u00e9 a unidade de sa\u00fade local.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o quadro monitorado \u00e9 mais complexo, a equipe multiprofissional (E-Multi), que re\u00fane psic\u00f3logos, fisioterapeutas, educadores f\u00edsicos, assistentes sociais e nutricionistas, passa a atuar em conjunto com a equipe do Centro de Sa\u00fade, mediante disponibilidade local, no atendimento para \u201ccriar um plano de cuidados mais personalizado e integral\u201d, especifica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O monitoramento cont\u00ednuo serve para orientar o trabalho nos postos, onde as pessoas idosas assistidas devem ser estratificadas pelo \u00cdndice de Vulnerabilidade Cl\u00ednico-Funcional-20 (IVCF-20) em tr\u00eas grupos de acordo com a capacidade de fazer as tarefas do dia a dia, explica a m\u00e9dica Fernanda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro \u00e9 formado por indiv\u00edduos robustos, que se caracterizam por serem totalmente independentes e aut\u00f4nomos, conseguindo caminhar, tomar banho e fazer compras sozinhos, mesmo que j\u00e1 possuam algum tipo de doen\u00e7a cr\u00f4nica leve ou controlada. Os crit\u00e9rios t\u00e9cnicos defendidos pelas m\u00e9dicas da rede apontam que o segundo perfil \u00e9 composto por pessoas idosas em risco de fragiliza\u00e7\u00e3o, que come\u00e7am a mostrar os primeiros sinais de limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas ou de mem\u00f3ria e precisam de suporte para evitar problemas graves como infarto ou acidente vascular encef\u00e1lico (AVE). O terceiro grupo, conforme a classifica\u00e7\u00e3o descrita pela especialista do DIA, \u00e9 o da pessoa idosa fr\u00e1gil, aquele que j\u00e1 perdeu a independ\u00eancia e necessita de ajuda imediata e cont\u00ednua para fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, como se alimentar ou tomar banho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acompanhamento pronto e permanente deste \u00faltimo perfil \u00e9 necess\u00e1rio porque a falta de suporte pode agravar o quadro cl\u00ednico rapidamente. A m\u00e9dica aponta que, quando o paciente entra na chamada S\u00edndrome da Fragilidade, o risco \u00e9 alto. A literatura m\u00e9dica mostra que a falta de um cuidado integrado para esse idoso fr\u00e1gil pode lev\u00e1-lo a maior risco de quedas, hospitaliza\u00e7\u00f5es, decl\u00ednio funcional e morte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa realidade motivou as Refer\u00eancias T\u00e9cnicas da Sa\u00fade da Pessoa Idosa de Florian\u00f3polis a desenharem a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para apoiar quem cuida dessas pessoas em casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e9dica de fam\u00edlia e comunidade Alice Pacheco, que divide esta coordena\u00e7\u00e3o na Secretaria Municipal de Sa\u00fade, levou a demanda ao Conselho Municipal da Pessoa Idosa ap\u00f3s ouvir as necessidades da comunidade e criou o projeto Cuidado Quirido, que busca capacitar os cuidadores de pessoas idosas fr\u00e1geis ou em risco de fragiliza\u00e7\u00e3o, em suas resid\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Apoio para os cuidadores<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Cuidado Quirido \u00e9 uma iniciativa municipal com parcerias do Conselho Estadual do Idoso de Santa Catarina (CEI-SC), Secretaria de Estado da Assist\u00eancia Social, Mulher e Fam\u00edlia (SAS) e N\u00facleo de Sa\u00fade Digital da UFSC. Ela fornece suporte voltado especificamente para quem j\u00e1 cuida de familiares idosos com sa\u00fade fr\u00e1gil em casa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e9dica Alice explica que o projeto funciona por meio de tr\u00eas frentes: aulas te\u00f3ricas com temas como cuidados de higiene e primeiros socorros das pessoas idosas; visitas pr\u00e1ticas de profissionais que v\u00e3o at\u00e9 as resid\u00eancias para ensinar manobras como o banho no leito, curativos, cuidado com quedas; e apoio psicol\u00f3gico especializado para lidar com o esgotamento emocional do cuidador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto prioriza o atendimento a pessoas em situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade do munic\u00edpio. Alice define a ess\u00eancia desse trabalho com os familiares que assumiram a fun\u00e7\u00e3o como um suporte, e n\u00e3o somente capacita\u00e7\u00e3o, como \u00e9 formalmente designado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este apoio aos cuidadores complementa outros esfor\u00e7os do poder p\u00fablico de Florian\u00f3polis para garantir a perman\u00eancia e o cuidado da pessoa idosa fr\u00e1gil no n\u00facleo familiar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A necessidade de amparo integral descrita pelos m\u00e9dicos reflete a realidade vivida na casa de Dezalda Dias, que conta com o suporte assistencial de seus 10 filhos, de maneira programada para manter sua rotina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma de suas filhas, a fonoaudi\u00f3loga Josiane Dias, de 50 anos, relata que o cotidiano exige aten\u00e7\u00e3o ininterrupta, mas destaca o valor da uni\u00e3o familiar para dar conta da demanda di\u00e1ria de tarefas, que envolve desde a organiza\u00e7\u00e3o da resid\u00eancia at\u00e9 o preparo de refei\u00e7\u00f5es e controle de medicamentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu depoimento, Josiane exp\u00f5e a complexidade emocional e a intensidade que permeia a rotina pr\u00e1tica de assist\u00eancia a um parente dependente. &#8220;Os cuidados s\u00e3o 24 horas. S\u00e3o de 15 em 15 dias, mas demandam uma aten\u00e7\u00e3o e um cognitivo nosso que cansa muito\u201d, desabafa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela ressalta, por\u00e9m, que a ajuda dos outros familiares \u00e9 essencial para evitar o desgaste f\u00edsico e mental. \u201cComo a fam\u00edlia \u00e9 grande, eu me sinto um pouco aliviada de n\u00e3o ter que ter esses momentos t\u00e3o intensos com maior frequ\u00eancia&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Movimento al\u00e9m do esfor\u00e7o f\u00edsico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O revezamento e a divis\u00e3o de tarefas entre os filhos de Dezalda ajudam a amenizar a sobrecarga, permitindo que cada um contribua de uma maneira diferente. De acordo com Josiane, parte dos irm\u00e3os ficam respons\u00e1veis por reparos e pelo jardim, enquanto as irm\u00e3s preparam receitas e fazem costuras. Nessa for\u00e7a-tarefa, Josiane utiliza sua experi\u00eancia profissional para estimular a comunica\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria de sua m\u00e3e por meio de conversas e resgate de lembran\u00e7as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao avaliar o envelhecimento e o papel das rela\u00e7\u00f5es sociais na manuten\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria sa\u00fade, Josiane refor\u00e7a sua percep\u00e7\u00e3o pessoal sobre a pr\u00f3pria idade e o bem-estar. &#8220;Eu, aos 50 anos, n\u00e3o sou velha. \u00c9 assim que eu me vejo. Uma jovem senhora\u201d, define.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O envelhecimento tamb\u00e9m imp\u00f5e o desafio de olhar para al\u00e9m das paredes de casa para quem j\u00e1 passou dos 60 anos e busca manter a vitalidade e a independ\u00eancia. \u00c9 essa busca por autonomia, sa\u00fade f\u00edsica e novos v\u00ednculos que move os idosos que frequentam as quadras e piscinas da UFSC, define a professora T\u00e2nia Benedetti, uma das respons\u00e1veis pelo projeto de extens\u00e3o \u201cAtividades F\u00edsicas para a Terceira Idade\u201d, desenvolvido pelo Centro de Desportos (CDS) da UFSC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu penso que a gente mudou a forma de encarar o envelhecimento. Quando come\u00e7amos, pessoas de 40 anos n\u00e3o sa\u00edam de casa\u201d, avalia T\u00e2nia. O projeto de extens\u00e3o, criado em 1985 pelas professoras Maria Cec\u00edlia Mocker e Marize Amorim Lopes, come\u00e7ou com aulas de gin\u00e1stica para cinco idosas. A primeira turma formada por homens surgiu quatro anos depois, em 1989.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"596\" height=\"344\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-15.26.13.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2822\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-15.26.13.jpeg 596w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-15.26.13-300x173.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Registro de 1985 mostra a aula inaugural do projeto da UFSC, que come\u00e7ou com um pequeno grupo de mulheres e d\u00e9cadas depois se tornou refer\u00eancia no atendimento ao idoso robusto na Capital. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/CDS\/UFSC<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo das quase quatro d\u00e9cadas, a procura pelas atividades aumentou e o projeto expandiu suas a\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00f3s est\u00e1vamos com 23 turmas e mais de mil idosos, n\u00e3o d\u00e1vamos conta. Assim, realizamos uma parceria com a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), junto com a professora Giovana Zarpellon Mazo, e com a Prefeitura Municipal de Florian\u00f3polis\u201d, relata T\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ela, esta uni\u00e3o ajudou a ampliar o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o idosa em diferentes regi\u00f5es da capital. Nesse per\u00edodo, o poder p\u00fablico realizou um concurso p\u00fablico para contratar 12 profissionais de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica para atuar nos centros de sa\u00fade municipais. A a\u00e7\u00e3o permitiu a cria\u00e7\u00e3o de grupos voltados \u00e0 terceira idade em bairros como Serrinha e Santa M\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, o projeto atende mais de 250 pessoas distribu\u00eddas em nove turmas e conta com o apoio de quatro bolsistas do curso de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. As pr\u00e1ticas incluem gin\u00e1stica, hidrogin\u00e1stica, nata\u00e7\u00e3o e v\u00f4lei adaptado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o encontro acompanhado pela reportagem, em 10 de maio de 2026, o movimento come\u00e7ou antes mesmo dos exerc\u00edcios. As alunas chegaram ao gin\u00e1sio, cumprimentaram os colegas, formaram rodas e conversaram sobre a semana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas falaram sobre consultas m\u00e9dicas, enquanto outras comentaram a respeito de viagens, filhos e netos. Quando o treino come\u00e7ou, as idosas se dividiram em equipes sob a orienta\u00e7\u00e3o da bolsista Luara Ladwig.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma das din\u00e2micas, um jogo da velha adaptado com bambol\u00eas e cones exigia deslocamento, coordena\u00e7\u00e3o motora e coopera\u00e7\u00e3o entre o grupo. Em outra tarefa, elas utilizaram el\u00e1sticos para exerc\u00edcios de fortalecimento muscular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao todo, 22 mulheres participaram da aula acompanhada pela reportagem. \u201cEu adoro idosos, desde pequena, sempre quis trabalhar com eles\u201d, afirma Luara. Entre as alunas, os resultados aparecem na rotina. Arlete Silveira, aposentada e participante do projeto destaca esses efeitos no seu dia a dia. \u201cMelhorou a cabe\u00e7a\u201d, resume.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As conversas ao longo do treino mostram que os encontros semanais cumprem fun\u00e7\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m do esfor\u00e7o f\u00edsico. Os alunos trocam experi\u00eancias, compartilham hist\u00f3rias e mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es constru\u00eddas ao longo dos anos de conviv\u00eancia. Para a professora que coordena as atividades no CDS, o trabalho ajuda a criar oportunidades de conv\u00edvio social. \u201cO exerc\u00edcio f\u00edsico ajuda, mas o aluno tamb\u00e9m cria v\u00ednculos. As pessoas fazem amizades e continuam participando de atividades fora das aulas\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As conversas que ecoam pelo gin\u00e1sio da UFSC e os relatos colhidos nos bairros demonstram que as iniciativas p\u00fablicas e acad\u00eamicas de Florian\u00f3polis operam como uma engrenagem de prote\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Enquanto o projeto universit\u00e1rio estimula a autonomia e a sa\u00fade f\u00edsica dos idosos robustos, aqueles que mant\u00eam autonomia e independ\u00eancia, as a\u00e7\u00f5es domiciliares e os programas de capacita\u00e7\u00e3o d\u00e3o o suporte necess\u00e1rio para as fam\u00edlias que enfrentam a exaust\u00e3o di\u00e1ria no cuidado de pessoas idosas fragilizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a coordena\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade da Pessoa Idosa, onde atuam as m\u00e9dicas de fam\u00edlia e comunidade Fernanda e Alice, mapear e assistir de perto esses diferentes perfis \u00e9 a \u00fanica forma de garantir que nenhuma parcela dessa popula\u00e7\u00e3o fique desamparada frente ao crescimento acelerado da cidade. \u00c9 no equil\u00edbrio entre o fortalecimento muscular nas quadras, o cuidado em sa\u00fade nos postos e o acolhimento t\u00e9cnico aos cuidadores que a capital catarinense tenta construir um modelo urbano no qual envelhecer n\u00e3o signifique o isolamento, mas sim a continuidade da vida comunit\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crescimento de popula\u00e7\u00e3o idosa em Florian\u00f3polis mobiliza atendimento de sa\u00fade domiciliar, apoio a cuidadores e projetos de conviv\u00eancia JO\u00c3O HASSE A professora aposentada Dezalda Dias observa da janela de sua casa as transforma\u00e7\u00f5es de Florian\u00f3polis, uma capital que se transfigurou, com o tempo, de uma antiga vila com tra\u00e7os rurais para uma metr\u00f3pole urbana.&nbsp; Aos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2820,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[],"class_list":["post-2819","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagens"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.9 - 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