{"id":2054,"date":"2025-03-31T23:21:19","date_gmt":"2025-04-01T02:21:19","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/?p=2054"},"modified":"2025-04-08T14:03:32","modified_gmt":"2025-04-08T17:03:32","slug":"marcas-invisiveis-agressao-psicologica-predomina-nas-ocorrencias-de-violencia-contra-a-mulher-em-sc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/index.php\/2025\/03\/31\/marcas-invisiveis-agressao-psicologica-predomina-nas-ocorrencias-de-violencia-contra-a-mulher-em-sc\/","title":{"rendered":"Marcas invis\u00edveis: agress\u00e3o psicol\u00f3gica predomina nas ocorr\u00eancias de viol\u00eancia contra a mulher em SC"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Em 2024, uma em cada sete liga\u00e7\u00f5es feitas ao Ligue 180 denunciavam agress\u00e3o psicol\u00f3gica. Viol\u00eancia est\u00e1 tipificada na Lei Maria da Penha desde 2018<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\"><strong>POR FERNANDA ZWIRTES E NATHALY BITTENCOURT<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTudo que fiz foi por amor\u201d. Essas foram as palavras ditas por um homem que assassinou brutalmente a ex-companheira, em frente ao seu filho, na \u00e9poca com nove anos. Cruelmente, utilizando-se de um estilete e pedras, ceifou a vida da mulher que havia decidido encerrar o relacionamento com ele h\u00e1 alguns meses. \u201cSe ela n\u00e3o fosse mais minha, n\u00e3o seria de mais ningu\u00e9m\u201d, declarou em interrogat\u00f3rio. O julgamento do feminic\u00eddio foi acompanhado pela Promotora de Justi\u00e7a Bianca Andrighetti, atual coordenadora estadual do N\u00facleo de Atendimento a V\u00edtimas de Viol\u00eancia (NAVIT) do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Santa Catarina (MPSC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO que mais me marcou foi que esta v\u00edtima nunca havia procurado a justi\u00e7a, porque nunca havia ocorrido uma viol\u00eancia f\u00edsica\u201d, relembra Bianca. O hist\u00f3rico de agress\u00f5es contra essa mulher era outro: manipula\u00e7\u00e3o, vigil\u00e2ncia constante e amea\u00e7as. Nos relatos do processo, n\u00e3o constavam machucados f\u00edsicos, mas uma s\u00e9rie de atitudes controladoras e repressivas executadas pelo assassino. Tudo era vigiado \u2013 desde redes sociais, aplicativos de mensagens at\u00e9 a quilometragem de seu carro. Apesar de n\u00e3o t\u00e3o vis\u00edveis&nbsp; quanto um olho roxo, culminaram em mais um feminic\u00eddio violento em frente a uma crian\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Esse tipo de agress\u00e3o tem nome: viol\u00eancia psicol\u00f3gica. Como a \u00e1gua que esculpe as rochas ao longo dos anos, o abuso psicol\u00f3gico desgasta a v\u00edtima gradualmente. Quem observa de fora n\u00e3o identifica o dano que se alastra por dentro. S\u00e3o feridas que, invis\u00edveis a olho nu, passam despercebidas. Enquanto o corpo aparenta estar intacto, a mente adoece e a alma \u00e9 envenenada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando a gente nomeia uma viol\u00eancia, estimulamos para que haja uma discuss\u00e3o sobre ela\u201d, afirma Anne Teive Auras, defensora p\u00fablica e coordenadora do N\u00facleo de Promo\u00e7\u00e3o e Defesa do Direito das Mulheres (NUDEM) da Defensoria P\u00fablica de Santa Catarina (DPE\/SC) e coordenadora geral do Observat\u00f3rio da Viol\u00eancia Contra a Mulher (OVM\/SC). Anne relata que a maioria das mulheres que busca ajuda na DPSC enfrenta, ao menos, uma forma de viol\u00eancia psicol\u00f3gica. \u201cNem sempre h\u00e1 agress\u00e3o f\u00edsica envolvida\u201d, alerta. Ela cita como exemplos amea\u00e7as de morte, inj\u00farias e a exposi\u00e7\u00e3o de conte\u00fado \u00edntimo da v\u00edtima em meios digitais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, 12 anos ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha (11.340\/2006), a viol\u00eancia psicol\u00f3gica foi tipificada como uma forma de agress\u00e3o existente contra a mulher. Entretanto, foi s\u00f3 em 2021, com a Lei 14.188, que a legisla\u00e7\u00e3o brasileira deu entornos mais espec\u00edficos e maior prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica \u00e0s mulheres nesta situa\u00e7\u00e3o e a tornou um crime espec\u00edfico no C\u00f3digo Penal Brasileiro. Aqui, entende-se como viol\u00eancia psicol\u00f3gica como:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"496\" src=\"http:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Graficos-em-barra-ajudam-na-comparacao-de-dados-1-1-1200x496.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2065\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Graficos-em-barra-ajudam-na-comparacao-de-dados-1-1-1200x496.jpg 1200w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Graficos-em-barra-ajudam-na-comparacao-de-dados-1-1-300x124.jpg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Graficos-em-barra-ajudam-na-comparacao-de-dados-1-1-768x318.jpg 768w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Graficos-em-barra-ajudam-na-comparacao-de-dados-1-1-1536x635.jpg 1536w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Graficos-em-barra-ajudam-na-comparacao-de-dados-1-1.jpg 1748w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, passaram a ser poss\u00edveis condena\u00e7\u00f5es exclusivamente por viol\u00eancia psicol\u00f3gica, que deixou de ser compreendida apenas como um fator agravante em outros crimes. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, somente em 2023, mais de 16 anos depois da promulga\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha, o MPSC obteve a primeira condena\u00e7\u00e3o por crime de viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra a mulher na Serra Catarinense. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ofensas, xingamentos e amea\u00e7as proferidas \u00e0 v\u00edtima enquanto o acusado gravava v\u00eddeos destruindo eletrodom\u00e9sticos com o objetivo de coagi-la foram as provas necess\u00e1rias para sua pris\u00e3o em flagrante. A pena definida foi de um ano de reclus\u00e3o pela agress\u00e3o psicol\u00f3gica, al\u00e9m de dois meses e dez dias por amea\u00e7a, em regime semiaberto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 incomum. Em rela\u00e7\u00e3o a todo o pa\u00eds, a viol\u00eancia psicol\u00f3gica foi o tipo de agress\u00e3o mais denunciada em 2024 atrav\u00e9s do Ligue 180, canal do Minist\u00e9rio da Mulher que atende e orienta v\u00edtimas de viol\u00eancia. No \u00faltimo ano, 101.107 chamados foram feitos para denunciar algum tipo de agress\u00e3o psicol\u00f3gica &#8211; uma em cada sete liga\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros s\u00e3o contrastantes. O Observat\u00f3rio da Viol\u00eancia Contra a Mulher, sistema integrado de informa\u00e7\u00f5es sobre o tema no Estado de Santa Catarina, aponta que 47,63% dos registros de ocorr\u00eancias contra mulher entre 2020 e 2024 foram amea\u00e7as, um tipo de viol\u00eancia psicol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, condena\u00e7\u00f5es pelo crime de viol\u00eancia psicol\u00f3gica ainda s\u00e3o raras. De janeiro de 2020 a dezembro de 2024, foram <strong>411 <\/strong>den\u00fancias registradas no Poder Judici\u00e1rio catarinense contendo o assunto &#8220;viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra a mulher&#8221;, de acordo com informa\u00e7\u00f5es concedidas pelo MPSC, via pedido de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Em resposta, a Corregedoria-Geral informou n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de responder a questionamentos acerca do n\u00famero de condena\u00e7\u00f5es ou quando ocorreu a primeira no Estado, por n\u00e3o ter estrutura\u00e7\u00e3o para os dados requeridos no sistema eletr\u00f4nico utilizado pelo MPSC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das raz\u00f5es que dificultam esse cen\u00e1rio \u00e9 a falta de provas, principalmente porque, em geral, o crime ocorre no \u00e2mbito privado, onde n\u00e3o existem testemunhas e tampouco maneiras de registrar a agress\u00e3o. Pelo mesmo motivo, muitas mulheres deixam de fazer a den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1748\" height=\"1240\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/1-1200x851.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2058\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/1-1200x851.jpg 1200w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/1-300x213.jpg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/1-768x545.jpg 768w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/1-1536x1090.jpg 1536w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/1.jpg 1748w\" sizes=\"(max-width: 1748px) 100vw, 1748px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA viol\u00eancia psicol\u00f3gica \u00e9 um contexto diferenciado e dif\u00edcil. Voc\u00ea s\u00f3 vai, na grande maioria das vezes, comprovar quando chega num estado deplor\u00e1vel de doen\u00e7a mental, como depress\u00e3o e ansiedade\u201d, afirma Rosimeri Mebs, psic\u00f3loga e coordenadora de combate a viol\u00eancia contra \u00e0 mulher da Secretaria Municipal de Assist\u00eancia Social, Mulher e Fam\u00edlia de Balne\u00e1rio Cambori\u00fa (SC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anne Auras complementa que para condena\u00e7\u00e3o criminal, o ideal \u00e9 que al\u00e9m da palavra da mulher, tenha, pelo menos, alguns elementos de prova. Nesse caso, podem ser testemunhos, laudos psicol\u00f3gicos, <em>prints<\/em>, grava\u00e7\u00f5es, entre outros. \u201cA possibilidade de prova \u00e9 ampla. \u00c0s vezes, \u00e9 bem dif\u00edcil de ter alguma coisa, mas tudo isso \u00e9 poss\u00edvel de produzir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>A espiral<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"506\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/4-1200x506.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2060\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/4-1200x506.jpg 1200w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/4-300x127.jpg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/4-768x324.jpg 768w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/4-1536x648.jpg 1536w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/4.jpg 1609w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O registro acima pertence a uma das milhares de den\u00fancias de viol\u00eancia dom\u00e9stica feitas \u00e0 justi\u00e7a catarinense. A forma como a viol\u00eancia psicol\u00f3gica se manifesta, entretanto, nem sempre \u00e9 expl\u00edcita. Nem sempre um agressor comete amea\u00e7as ou difama &#8211; muitas vezes, a din\u00e2mica ocorre silenciosamente ou disfar\u00e7ada de afeto. Cada relato que chega ao poder p\u00fablico \u00e9 diferente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c0s vezes, a mulher chega e tem que contar uma hist\u00f3ria que come\u00e7ou h\u00e1 vinte anos. Ela vai contando tudo que aconteceu, como o comportamento mudou, e narra um turbilh\u00e3o de microviol\u00eancias que ela nunca identificou como tal\u201d, elucida a defensora p\u00fablica Anne. \u201cElas chegam por conta da \u00faltima situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, que talvez tenha sido a mais grave, mas isso foi s\u00f3 a ponta do <em>iceberg\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A din\u00e2mica em que a viol\u00eancia contra a mulher se estabelece foi teorizada pela psic\u00f3loga norte-americana Lenore Walker, em 1979, e \u00e9 conhecida como <em>espiral da viol\u00eancia<\/em>. Ela trata sobre as agress\u00f5es c\u00edclicas e ascendentes que acontecem em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra as mulheres e divide-se em tr\u00eas fases: aumento da tens\u00e3o, agress\u00e3o e lua de mel (concilia\u00e7\u00e3o). Toda vez que o ciclo se repete, a viol\u00eancia aumenta e, em uma parcela expressiva dos casos, culmina em feminic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Rita*, o in\u00edcio das discuss\u00f5es era desconfort\u00e1vel, mas considerava uma situa\u00e7\u00e3o comum. \u201cEu fazia ou falava algo que chateava ele, mas ele n\u00e3o me dizia o motivo e iniciava o tratamento de sil\u00eancio comigo\u201d, relata, sobre seu relacionamento com o ex-namorado Francisco*. \u201cEle me menosprezava, me diminu\u00eda, falando sobre meu intelecto e das coisas que eu gostava de fazer\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De forma similar, essa din\u00e2mica tamb\u00e9m acontecia com Gl\u00f3ria*. \u201cEu ainda levava numa boa, n\u00e3o percebia que isso era uma viol\u00eancia psicol\u00f3gica\u201d, relembra. Pouco a pouco, o que acontecia somente no terreno psicol\u00f3gico avan\u00e7ou para marcas no corpo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No come\u00e7o, em surtos, Lucas se automutilava, arranhava a pr\u00f3pria pele e batia a cabe\u00e7a contra a parede. Segundo ele, ao machucar Gl\u00f3ria, ele precisava se machucar tamb\u00e9m \u2013 e ela era obrigada a assistir, impotente. \u201cSe eu ficasse mal, ele queria que eu soubesse quanto ele ficava mal por me deixar mal. Tipo, olha, esse \u00e9 meu pedido de desculpas para voc\u00ea\u201d, explica. N\u00e3o demorou muito at\u00e9 que ela virasse alvo das agress\u00f5es. Gritos viraram socos, empurr\u00f5es, tapas. Ele culpava a pr\u00f3pria sa\u00fade mental, em especial a ansiedade, apesar de n\u00e3o ter diagn\u00f3stico de nenhum transtorno.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"587\" height=\"425\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Captura_de_tela_2025-03-30_220702-removebg-preview.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2077\" style=\"width:446px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Captura_de_tela_2025-03-30_220702-removebg-preview.png 587w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Captura_de_tela_2025-03-30_220702-removebg-preview-300x217.png 300w\" sizes=\"(max-width: 587px) 100vw, 587px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Mapeamento de registros de viol\u00eancia contra a mulher | Fonte: OVM\/SC<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Rita, foi diferente: o mais recorrente eram os ass\u00e9dios sexuais, com toques indesejados e press\u00e3o para praticar atos sexuais e compartilhar fotos \u00edntimas. \u201cEu sentia que n\u00e3o tinha direito a ter controle do meu pr\u00f3prio corpo, e demorei para entender isso\u201d, relata. Passada tens\u00e3o, discuss\u00f5es e manipula\u00e7\u00e3o, tanto Francisco como Lucas partiam para a fase seguinte: o arrependimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu n\u00e3o tinha mais ningu\u00e9m ali. Eu n\u00e3o tinha como sair desse ciclo vicioso. Ele fazia essas coisas e logo em seguida ele era o melhor namorado do mundo e queria voltar comigo\u201d, desabafa Gl\u00f3ria. \u201cEu n\u00e3o conseguia terminar com ele. Porque sempre que algo acontecia, ele magicamente virava um cara legal, um bom namorado. Ele \u00e9 t\u00e3o simp\u00e1tico, t\u00e3o gentil, t\u00e3o divertido, n\u00e3o posso terminar esse relacionamento\u201d, acompanha Rita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso de Gl\u00f3ria, ap\u00f3s o t\u00e9rmino do namoro, o abuso ganhou outros moldes: a persegui\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica. Lucas colou pela sua cidade natal mais de <strong>40 <\/strong>adesivos com mensagens que somente ela entenderia, fazendo refer\u00eancia a coisas que ela falou e aos seus gostos pessoais. Ele tamb\u00e9m pichou duas imagens do rosto de Gl\u00f3ria. Os s\u00edmbolos de sua obsess\u00e3o surgiam em todos os trajetos que ela fazia diariamente, carregando uma mensagem impl\u00edcita e aterrorizante: \u201ceu sei por onde voc\u00ea anda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>Depend\u00eancia e culpa<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todas as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia psicol\u00f3gica s\u00e3o complexas, afirma Anna Nienkotter, ativista e diretora do Departamento de Pol\u00edticas P\u00fablicas para Mulheres da Secretaria da Secretaria Municipal de Assist\u00eancia Social, Mulher e Fam\u00edlia de Balne\u00e1rio Cambori\u00fa. \u201cExistem mulheres que, por mais que tenham uma rede de apoio, n\u00e3o conseguem sair desse ciclo, porque existe uma depend\u00eancia emocional muito grande\u201d, diz. Por si s\u00f3, esse tamb\u00e9m \u00e9 um fen\u00f4meno denso, explica a psic\u00f3loga Rosimeri, que atua junto com Anna em projetos sociais de acolhimento a mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"633\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/2-1200x633.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2059\" style=\"width:549px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/2-1200x633.jpg 1200w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/2-300x158.jpg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/2-768x405.jpg 768w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/2-1536x810.jpg 1536w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/2.jpg 1748w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAlgumas mulheres sofreram viol\u00eancia psicol\u00f3gica desde muito cedo, n\u00e3o s\u00f3 do namorado, mas do pai, do irm\u00e3o, \u00e0s vezes at\u00e9 da pr\u00f3pria m\u00e3e\u201d, afirma Rosimeri. Com isso, a no\u00e7\u00e3o de afeto \u00e9 deturpada e abre caminho para a depend\u00eancia emocional, define a psic\u00f3loga. \u201cQuando voc\u00ea sofre viol\u00eancia psicol\u00f3gica a vida inteira, obviamente voc\u00ea mant\u00e9m esse ciclo quando vai se relacionar com outra pessoa\u201d, argumenta.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nessa situa\u00e7\u00e3o em que o relacionamento se torna uma pris\u00e3o &#8211; ainda que dif\u00edcil de ser identificada quando a viol\u00eancia psicol\u00f3gica est\u00e1 presente. Na experi\u00eancia da defensora p\u00fablica Anne, o momento mais cr\u00edtico \u00e9 quando a mulher se percebe como algu\u00e9m que sofreu viol\u00eancia. \u201cNormalmente, a rea\u00e7\u00e3o delas \u00e9 muito emocional, \u00e9 chorar muito ao perceber que aquilo que viveu durante tantos anos j\u00e1 era uma viol\u00eancia\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo depois do fim do relacionamento, ainda h\u00e1 fardos a se carregar: a culpa, a apatia e as cicatrizes da viol\u00eancia. Rita conta que depois do t\u00e9rmino n\u00e3o conseguia sentir nada. \u201cEu passava o dia extremamente ap\u00e1tica. Queria me isolar de todo mundo, pensava que ningu\u00e9m se importava comigo\u201d, relata. Na&nbsp; mesma situa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade mental de Gl\u00f3ria piorou drasticamente. \u201cEu achava que n\u00e3o ia conseguir fazer nada, eu n\u00e3o conseguia ver um futuro pra mim\u201d, conta. \u201cEu n\u00e3o tenho controle\u201d: era o que pensava sobre si diariamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua experi\u00eancia trabalhando em diferentes casas de acolhimento para mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e viol\u00eancia, em Florian\u00f3polis e Balne\u00e1rio Cambori\u00fa, Anna Nienk\u00f6tter tamb\u00e9m presenciou essas situa\u00e7\u00f5es. \u201cElas entram em um limbo de dor t\u00e3o profunda, t\u00e3o dolorido, e quando voc\u00ea vivencia isso te atravessa a alma\u201d, diz. Nessa quest\u00e3o, o tratamento psicol\u00f3gico \u00e9 t\u00e3o importante quanto prover um ambiente seguro para a mulher. \u201cTu olha para os olhos dessas mulheres e eles est\u00e3o cinzas. Para que elas resgatem a si mesmas, precisam de uma rede de apoio\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de tudo, ainda \u00e9 preciso lidar com a culpa. N\u00e3o s\u00f3 aquela atribu\u00edda pela sociedade, mas tamb\u00e9m a que adv\u00e9m do abusador. Anna narra uma viv\u00eancia de Giovana*. Vigiada 24 horas pelo marido, sem direito a ter seu pr\u00f3prio dinheiro, al\u00e9m de amea\u00e7ada e agredida constantemente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na cama em que dormia com seu agressor, havia um rev\u00f3lver embaixo do travesseiro, mantendo-a sob constante intimida\u00e7\u00e3o. Para consultar-se com um psic\u00f3logo, Giovana ia ao supermercado, sob o pretexto de fazer compras. Trancava-se no banheiro do estabelecimento e era atendida de forma <em>on-line<\/em>. Foi atrav\u00e9s do apoio psicol\u00f3gico e de sua rede de apoio que uniu for\u00e7as para fazer uma den\u00fancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Giovana conseguiu sair do relacionamento e mudou de cidade, ap\u00f3s come\u00e7ar a ser perseguida por seu ex-companheiro. J\u00e1 livre do ciclo de viol\u00eancia, seu agressor cometeu suic\u00eddio. \u201cEle se matou e botou a culpa nela, dizendo que se matou por causa dela. Mesmo saindo do ciclo, procurando ajuda, muitas vezes esse homem ainda faz com que ela se sinta culpada\u201d, conta Anna. Essa din\u00e2mica \u00e9 recorrente: quando a v\u00edtima se liberta do abusador, ele busca, de diversas formas, faz\u00ea-la sentir-se culpada, manipulando-a para manter o v\u00ednculo de depend\u00eancia emocional.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mas voc\u00ea tamb\u00e9m, n\u00e9?<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O in\u00edcio do relacionamento de Bruna e S\u00e9rgio* foi rom\u00e2ntico e doce. Eles se conheceram na igreja, ainda crian\u00e7as, como coroinhas. Admiravam-se de longe at\u00e9 que, na adolesc\u00eancia, o v\u00ednculo evoluiu para um namoro. Nos primeiros anos, o comportamento dele parecia normal \u2013 era o que ela esperava de um rapaz: ciumento, mas at\u00e9 ent\u00e3o inofensivo. Bruna n\u00e3o sabia que esse seria o come\u00e7o de um pesadelo que duraria <strong>12 <\/strong>anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cerco come\u00e7ou a fechar quando terminaram o ensino m\u00e9dio. Com trabalho e uma rotina corrida, S\u00e9rgio ganhou mais controle.&nbsp; \u201cQuando eu me posicionava, dizia \u2018n\u00e3o, eu n\u00e3o vou deixar de falar com tal pessoa\u2019, me olhavam assim e falavam: \u2018Mas voc\u00ea tamb\u00e9m, n\u00e9? N\u00e3o abre m\u00e3o de nada\u2019\u201d, relata Bruna sobre o coment\u00e1rio de uma amiga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De pouco a pouco, S\u00e9rgio a podou. Ele a proibia de ouvir suas m\u00fasicas e jogava fora seus livros. Demorou cerca de sete anos para que ficasse claro que algo estava errado. Isso aconteceu quando as agress\u00f5es f\u00edsicas come\u00e7aram. Nas primeiras vezes, Bruna revidava. \u201cDepois de algum momento que eu percebi que quanto mais eu revidava, mais eu apanhava. Pensei: se eu n\u00e3o reagir, ele vai cansar e vai parar\u201d, mas ele n\u00e3o parou. Entre socos, chutes e desmaios por conta de cabe\u00e7adas contra a parede, ela pensava que a \u00fanica sa\u00edda era morrer.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"820\" height=\"784\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-31-at-22.53.42-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2067\" style=\"width:450px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-31-at-22.53.42-1.jpeg 820w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-31-at-22.53.42-1-300x287.jpeg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-31-at-22.53.42-1-768x734.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 820px) 100vw, 820px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOu eu morrer ou ele morrer. Mais do que pensar em me matar, muitas vezes, pensei em matar ele. Quando ele estava deitado de madrugada, dormindo pesado, eu s\u00f3 pensava em pegar um martelo e socar a cabe\u00e7a dele at\u00e9 morrer\u201d, revela. Segundo o Atlas da Viol\u00eancia (2024), entre as formas de viol\u00eancia mais notificadas no contexto da viol\u00eancia dom\u00e9stica no Brasil, a viol\u00eancia f\u00edsica \u00e9 prevalente com 36,7% dos casos: <strong>51.407<\/strong> registros apenas em 2022. A psicol\u00f3gica aparece em 4\u00ba lugar, com 10,7%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Bruna decidiu dar fim ao ciclo de viol\u00eancia, contou tudo \u00e0 sua fam\u00edlia, que n\u00e3o a deixou mais sair de casa sozinha. No mesmo dia, de madrugada, S\u00e9rgio apareceu na casa de seus pais, batendo e buzinando em frente ao port\u00e3o. A Pol\u00edcia Militar (PM) chegou para remov\u00ea-lo, mas, antes disso, lan\u00e7ou sobre a v\u00edtima o peso da culpa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-text-align-left is-style-default\"><blockquote><p>\u201cEle \u00e9 um vagabundo, mas a culpa de tudo isso que est\u00e1 acontecendo \u00e9 da tua filha, que deixou isso acontecer\u201d, disse um dos policiais, que, segundo ela, se dirigiram somente ao pai de Bruna durante toda a abordagem.&nbsp;<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s o t\u00e9rmino do relacionamento e uma den\u00fancia na Delegacia de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Crian\u00e7a, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), foram necess\u00e1rios cinco anos para que ela finalmente encontrasse paz \u2014 uma paz que s\u00f3 veio com a morte de S\u00e9rgio, em decorr\u00eancia de um suic\u00eddio. A not\u00edcia lhe trouxe pesar, em especial porque ele lutava contra a esquizofrenia, diagn\u00f3stico que recebeu tardiamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cLembro o primeiro dia que voltei da faculdade depois que ele morreu. Desci do \u00f4nibus e percebi que n\u00e3o estava com medo. Caminhei para casa tranquila pela primeira vez em cinco anos. Eu nunca quis isso, e apesar de muito triste, a morte dele me libertou\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da dor ao renascimento<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o assunto \u00e9 viol\u00eancia contra a mulher, a figura feminina n\u00e3o deve ser reduzida somente ao papel de v\u00edtima. Ela tamb\u00e9m est\u00e1 na linha de frente do combate. Anna Nienk\u00f6tter viveu essa realidade nos dois lados.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"912\" height=\"1074\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2061\" style=\"width:398px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/5.jpg 912w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/5-255x300.jpg 255w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/5-768x904.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 912px) 100vw, 912px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anna foi torturada pelo ex-companheiro durante cinco horas em seu apartamento em Florian\u00f3polis. V\u00e1rias atitudes de Roberto* acendiam um alarme em sua cabe\u00e7a, mas ela tentava acreditar que n\u00e3o eram nada. Com tr\u00eas meses de relacionamento, ele a pediu em casamento. \u201c[A alian\u00e7a] \u00e9 para os outros homens saberem que tu \u00e9 minha\u201d, dizia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ci\u00fame obsessivo e sufocante a consumia. Ap\u00f3s seis meses de namoro, Anna decidiu terminar. Sem brigas, apenas uma conversa tranquila. \u201cEu me sentia sem amor pr\u00f3prio por causa dos coment\u00e1rios que ele fazia. S\u00f3 depois que estudei o que \u00e9 viol\u00eancia psicol\u00f3gica, percebi que eu j\u00e1 n\u00e3o me olhava com aquela felicidade. Ele tinha me cercado das minhas amizades\u201d, compartilha. Para Anna, tudo estava resolvido. Sua vida seguiu normalmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era mais um dia rotineiro: trabalhou, jantou com uma amiga e foi para a casa por volta das 20h30. Ao abrir a porta do apartamento, sentiu um frio incomum no ar. Estranhou. Antes que pudesse acender a luz do corredor, Roberto a golpeou no pesco\u00e7o. Na mesa da sala, havia 12 copos d\u2019\u00e1gua alinhados. Enquanto Anna estava ca\u00edda no ch\u00e3o, ele derramava a \u00e1gua em seu rosto, tentando afog\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram mais de 200 tapas nos bra\u00e7os e nas m\u00e3os, in\u00fameras amea\u00e7as e uma tentativa de estupro. Somente pelas 4h, Roberto decidiu ir embora. No dia seguinte, Anna resolveu n\u00e3o denunciar. \u201cVoc\u00ea s\u00f3 quer sair daquilo. Tu n\u00e3o quer nem imaginar em ir para uma delegacia\u201d, explica. Posturas como essa n\u00e3o s\u00e3o incomuns &#8211; dos 51 feminic\u00eddios registrados em 2024 no estado de Santa Catarina, segundo o OVM\/SC, 92,2% das v\u00edtimas n\u00e3o tinham boletim de ocorr\u00eancia (B.O) registrado contra o autor do crime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMas voc\u00ea tamb\u00e9m, n\u00e9?\u201d: foi um dos coment\u00e1rios que Anna ouviu quando relatou seu abuso, assim como tantas mulheres que levam a culpa pela agress\u00e3o que sofrem. \u201cQuando a mulher passa por uma viol\u00eancia e abre o cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito atravessador e doloroso. Jamais julgue. Abrace e diga: \u2018Vai ficar tudo bem\u2019. Isso j\u00e1 \u00e9 muito acolhedor\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sil\u00eancio de Anna fez com que ela ganhasse for\u00e7a para ajudar outras mulheres. Atualmente, ao lado da psic\u00f3loga Rosimeri Mebs, ela toca o projeto \u201cCicatrizes Invis\u00edveis\u201d, que conscientiza mulheres sobre a viol\u00eancia psicol\u00f3gica e as educa a respeito das redes de apoio dispon\u00edveis. Al\u00e9m disso, idealizou a exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica \u201cN\u00e3o cale a sua VOZ!\u201d, que conta a hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o e renascimento de 22 mulheres catarinenses da casa de acolhimento Amadas, em Florian\u00f3polis.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" data-id=\"2071\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2071\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-3.jpg 800w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-3-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" data-id=\"2070\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2070\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-4.jpg 800w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-4-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" data-id=\"2073\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/FOTO-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2073\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/FOTO-5.jpg 800w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/FOTO-5-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/FOTO-5-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" data-id=\"2072\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/fotos-expoxicao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2072\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/fotos-expoxicao.jpg 800w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/fotos-expoxicao-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/fotos-expoxicao-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8220;N\u00e3o cale a sua VOZ!&#8221; exposta na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) | Fotos: Alesc<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com l\u00e1grimas nos olhos, Anna explica o que significa esse renascimento. \u201cCada vez que uma voz ecoa dizendo \u2018eu n\u00e3o quero mais\u2019, renasce uma Ana, renasce uma Maria, renasce uma Cl\u00e1udia, renasce uma Rosi. Quando diminui essa viol\u00eancia, a gente traz o renascimento de toda uma sociedade, n\u00e3o s\u00f3 de mulheres. Enquanto n\u00e3o despertarmos como seres humanos, estamos fadados ao caos social\u201d, enfatiza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De uma tentativa de feminic\u00eddio ao enfrentamento da viol\u00eancia contra mulher, Anna transformou sua dor em prop\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>Novas alternativas&nbsp;<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gra\u00e7as a muitos avan\u00e7os na sociedade e do campo jur\u00eddico, a conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 maior \u2013 ainda que n\u00e3o plena \u2013 e, cada vez mais, surgem aparelhos para acolher e aconselhar as v\u00edtimas de viol\u00eancia de todos os tipos. O NAVIT, do MPSC, por exemplo, nasceu na capital catarinense em 2020, com a proposta de oferecer apoio integral e humanizado a v\u00edtimas de crimes violentos e seus familiares, garantindo orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, prote\u00e7\u00e3o, repara\u00e7\u00e3o, acompanhamento psicol\u00f3gico, social e de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"955\" height=\"805\" src=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2074\" style=\"width:383px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/6.jpg 955w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/6-300x253.jpg 300w, https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/6-768x647.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 955px) 100vw, 955px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A iniciativa \u00e9 uma forma de promover atendimento especializado a todas as pessoas que passaram por situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. Nesse contexto, mulheres que buscam ajuda do poder p\u00fablico encontram uma alternativa que tenta escapar da neglig\u00eancia e viol\u00eancia institucional que, muitas vezes, sofrem ao denunciar. \u201cNo NAVIT, temos o apoio de diversas institui\u00e7\u00f5es de cada munic\u00edpio em que ele atua\u201d, afirma a promotora de justi\u00e7a Bianca, e cita como exemplos parcerias com universidades. Atrav\u00e9s de n\u00facleos de pr\u00e1ticas jur\u00eddicas e de atendimento psicol\u00f3gico, a integra\u00e7\u00e3o entre as entidades fornece apoio multidisciplinar e integrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Iniciativas como essa abarcam uma particularidade que n\u00e3o \u00e9 comum em outros \u00e2mbitos do poder p\u00fablico: o acompanhamento cont\u00ednuo da v\u00edtima. Al\u00e9m da den\u00fancia, que costuma ser o contato inicial da v\u00edtima com o Minist\u00e9rio P\u00fablico, Defensoria P\u00fablica ou delegacias, por exemplo, existe o suporte jur\u00eddico e psicol\u00f3gico durante e ap\u00f3s o processo judicial. \u201c\u00c9 um n\u00facleo onde se concentra a possibilidade de atender a v\u00edtima de forma humanizada\u201d, define Bianca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, al\u00e9m de Florian\u00f3polis, o n\u00facleo opera em Itaja\u00ed, Rio do Sul, Lages, Crici\u00fama, Joinville e, mais recentemente, em Brusque. Novas unidades est\u00e3o em fase de instala\u00e7\u00e3o em Blumenau, Chapec\u00f3, S\u00e3o Miguel do Oeste, Tubar\u00e3o e Joa\u00e7aba. O objetivo \u00e9 lev\u00e1-lo aos 295 munic\u00edpios do estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de n\u00e3o ser voltado especificamente a esse p\u00fablico, os primeiros dados divulgados pelo MPSC revelam que a viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 um denominador comum:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Lages: o NAVIT chegou em Lages em maio de 2024. Dos 461 atendimentos realizados at\u00e9 janeiro deste ano, 432 \u2013 ou seja, 93% \u2013 envolveram algum tipo de viol\u00eancia previsto na Lei Maria da Penha;<\/li>\n\n\n\n<li>Joinville: O n\u00facleo iniciou os atendimentos no dia 1\u00ba de outubro de 2024. Cerca de 150 v\u00edtimas foram atendidas at\u00e9 mar\u00e7o deste ano. Os principais registros s\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia dom\u00e9stica e estupro de vulner\u00e1vel;<\/li>\n\n\n\n<li>Florian\u00f3polis: em junho de 2024, o NAVIT capital chegou a mil atendimentos. Mais de 50% dos atendimentos &#8211; 517 &#8211; foram relacionados \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica.&nbsp;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que o sil\u00eancio guarda?<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sil\u00eancio das mulheres diante da viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 escolha, muito menos resigna\u00e7\u00e3o. Geralmente, \u00e9 medo. Medo de n\u00e3o conseguir provar a den\u00fancia, das amea\u00e7as do agressor, do julgamento alheio. Esse sil\u00eancio tamb\u00e9m reflete a omiss\u00e3o de quem v\u00ea e nada faz. \u201cNo caso de mulheres adultas, a maioria das den\u00fancias parte da pr\u00f3pria v\u00edtima\u201d, afirma a delegada Ester Fernanda Coelho, da 6\u00aa Delegacia de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Crian\u00e7a, ao Adolescente, \u00e0 Mulher e ao Idoso da Capital (DPCAMI).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com apoio, essa \u00e9 uma caminhada solit\u00e1ria, repleta de receios. Para muitas mulheres, romper o ciclo da viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas enfrentar o agressor \u2013 significa reconstruir tudo que j\u00e1 conheceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sil\u00eancio n\u00e3o guarda conformismo. Pelo contr\u00e1rio: \u00e9 um grito contido, um pedido de socorro que ecoa quando h\u00e1 uma rede de apoio preparada para escutar, acolher e agir. No fim, as marcas invis\u00edveis permanecem. A viol\u00eancia acaba, mas as hist\u00f3rias de mulheres como Rita, Gl\u00f3ria, Bruna e Anna seguem vivas \u2014 e precisam ser ouvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>*Os nomes de Gl\u00f3ria, Rita, Pedro, Lucas, S\u00e9rgio, Roberto e Francisco foram alterados para preservar a identidade das mulheres que sofreram viol\u00eancia. Bruna preferiu n\u00e3o revelar seu nome completo.<\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/details>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Ilustra\u00e7\u00e3o de Fernanda Zwirtes<\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/details>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2024, uma em cada sete liga\u00e7\u00f5es feitas ao Ligue 180 denunciavam agress\u00e3o psicol\u00f3gica. Viol\u00eancia est\u00e1 tipificada na Lei Maria da Penha desde 2018 POR FERNANDA ZWIRTES E NATHALY BITTENCOURT \u201cTudo que fiz foi por amor\u201d. 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