{"id":1694,"date":"2024-07-19T20:35:13","date_gmt":"2024-07-19T23:35:13","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/?p=1694"},"modified":"2024-07-23T10:28:31","modified_gmt":"2024-07-23T13:28:31","slug":"criancas-brasileiras-estao-mais-altas-e-obesas-aponta-pesquisa-da-fiocruz-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalofatual.ufsc.br\/index.php\/2024\/07\/19\/criancas-brasileiras-estao-mais-altas-e-obesas-aponta-pesquisa-da-fiocruz-2\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as brasileiras est\u00e3o mais altas e obesas, aponta pesquisa da Fiocruz"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>Dados se confirmam no estudo realizado em Florian\u00f3polis-SC. Especialistas relacionam fatores socioecon\u00f4micos \u00e0 obesidade infantil<\/em><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"height:32px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CAMILA BORGES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tempo e dinheiro s\u00e3o desafios enfrentados pelas m\u00e3es brasileiras que tentam proporcionar uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel aos filhos. A dom\u00e9stica Juliana Xavier, 39, explica que ao tentar conciliar o trabalho e o cuidado dos filhos Yuri, 9, e Gabrielly, 2, muitas vezes a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel \u00e9 negligenciada. \u201cNa escola tem hor\u00e1rio para todas as refei\u00e7\u00f5es e em casa eu n\u00e3o tenho.\u201d A m\u00e3e conta que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel deixar frutas e verduras \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as devido ao custo dos alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a advogada Monique de Paoli, 29, m\u00e3e da Mait\u00ea, 4, e Stella, 2, o preparo de alimentos saud\u00e1veis demanda um tempo que as pessoas n\u00e3o t\u00eam. Monique explica que \u201cna correria do dia a dia \u00e9 muito mais f\u00e1cil passar no mercado e comprar uma bolacha ou um salgadinho do que parar para cozinhar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os relatos das m\u00e3es v\u00e3o ao encontro do estudo publicado na edi\u00e7\u00e3o de abril da revista <em>The Lancet Regional Health \u2013 Americas<\/em>, que aponta o aumento da estatura e da obesidade entre crian\u00e7as brasileiras. A pesquisa foi realizada no Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimento para Sa\u00fade (Cidacs\/Fiocruz Bahia), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a University College London.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o levantamento, foram observados dados de mais de 5 milh\u00f5es de crian\u00e7as entre tr\u00eas e dez anos. Para an\u00e1lise foram estabelecidos dois grupos: nascidos de 2001 a 2007 e de 2008 a 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os estudos apontaram que ocorreu o aumento m\u00e9dio de um cent\u00edmetro de altura no grupo de nascidos de 2008 a 2014 em rela\u00e7\u00e3o aos nascidos de 2001 a 2007. No peso, ao comparar os dois grupos, as crian\u00e7as apresentaram um aumento m\u00e9dio de 600 gramas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa revela que na faixa et\u00e1ria de cinco a dez anos a preval\u00eancia da obesidade aumentou de 11,1% para 13,8% entre meninos e de 9,1% para 11,2% entre meninas. Na faixa et\u00e1ria de tr\u00eas a quatro anos de idade, foi apontado um aumento na obesidade de 4% para 4,5% entre meninos e de 3,6% para 3,9% entre meninas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preval\u00eancia da obesidade \u00e9 um dado estat\u00edstico obtido a partir da divis\u00e3o do n\u00famero de crian\u00e7as obesas pelo n\u00famero total de crian\u00e7as analisadas. A professora de nutri\u00e7\u00e3o da UFSC Patr\u00edcia Hinning explica que a maior estatura das crian\u00e7as est\u00e1 relacionada \u00e0 melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade, \u00e1gua tratada e saneamento b\u00e1sico. Por outro lado, o aumento da obesidade diz respeito ao consumo de ultraprocessados e ao tempo em que as crian\u00e7as s\u00e3o expostas \u00e0s telas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa realizada pela Fiocruz reflete a realidade de Florian\u00f3polis, conforme aponta o Estudo de Preval\u00eancia da Obesidade em Crian\u00e7as e Adolescentes (Epoca), realizado pelo Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o estudo, em 2019, houve um aumento de 44% na preval\u00eancia da obesidade nas crian\u00e7as de sete a 14 anos em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro levantamento, feito em 2002. O Epoca coletou amostras de 2.880 alunos de 30 escolas p\u00fablicas e privadas de ensino fundamental em Florian\u00f3polis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nutricionista Patr\u00edcia Hinnig, que fez parte da pesquisa do Epoca, explica que fatores socioecon\u00f4micos est\u00e3o relacionados ao aumento da obesidade. \u201cAs m\u00e3es acabam dando aos filhos alimentos ultraprocessados, porque s\u00e3o mais r\u00e1pidos de preparar e possuem menores pre\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o aos alimentos <em>in natura<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Patr\u00edcia ressalta que, de acordo com o Epoca, a preval\u00eancia de obesidade \u00e9 maior nas escolas p\u00fablicas devido \u00e0 realidade financeira das fam\u00edlias. \u201cA menor renda dificulta o acesso aos alimentos saud\u00e1veis e \u00e0 pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Negar \u00e9 mais f\u00e1cil<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obesidade ainda \u00e9 um tabu entre muitas fam\u00edlias que possuem filhos com sobrepeso. \u201cAs pessoas querem acreditar naquilo que \u00e9 mais f\u00e1cil e mais c\u00f4modo, ent\u00e3o fecham os olhos para a realidade\u201d, esclarece a bi\u00f3loga Alessandra Millezi, especialista em microbiologia de alimentos e m\u00e3e da Laura, 2, ao afirmar que percebe a neglig\u00eancia familiar como um dos maiores desafios no enfrentamento \u00e0 obesidade infantil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma entrevistada afirmou que, embora seu filho consuma majoritariamente p\u00e3es e bolachas e tenha resist\u00eancia ao comer frutas e verduras, \u201co que ele consome satisfaz as necessidades do seu organismo.\u201d Outra m\u00e3e explica que apesar da filha evitar o consumo de comidas variadas, \u201cela \u00e9 uma crian\u00e7a saud\u00e1vel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a bi\u00f3loga e especialista em fisiologia Stefanie Fischer, a obesidade \u00e9 multifatorial e pode ser causada por quest\u00f5es gen\u00e9ticas, estilo de vida, quantidade exerc\u00edcio f\u00edsico e condi\u00e7\u00f5es end\u00f3crinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ambiente, em especial durante a inf\u00e2ncia, condiciona a obesidade, uma vez que a sa\u00fade dos filhos \u00e9 determinada pelas pr\u00e1ticas dos pais. De acordo com Stefanie, \u201cse o pai e a m\u00e3e t\u00eam sobrepeso ou s\u00e3o obesos, provavelmente o filho vai ter sobrepeso ou ser obeso, porque nesses casos quem deveria orientar os h\u00e1bitos dos filhos n\u00e3o cuida de si mesmo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo que a crian\u00e7a tenha uma disposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica favor\u00e1vel a desenvolver obesidade, este fator pode ser modulado a partir de h\u00e1bitos saud\u00e1veis. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhum segredo. Para evitar a obesidade \u00e9 preciso lutar contra aquilo que \u00e9 mais confort\u00e1vel\u201d, explica Stefanie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista evolutivo, os seres humanos se adaptaram para armazenar calorias, uma vez que s\u00f3 era poss\u00edvel comer ap\u00f3s longos per\u00edodos de ca\u00e7a. A partir da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, o acesso aos alimentos foi facilitado e, nos dias atuais, os ultraprocessados possuem r\u00f3tulos, cheiros, pre\u00e7os e sabores atrativos, al\u00e9m de serem altamente palat\u00e1veis. Diante de um grande investimento na promo\u00e7\u00e3o dos ultraprocessados, Stefanie afirma que \u201c\u00e9 realmente muito dif\u00edcil para os pais lutarem contra essa ind\u00fastria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Consequ\u00eancias da obesidade infantil<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma crian\u00e7a \u00e9 considerada obesa ou com sobrepeso quando o \u00cdndice de Massa Corporal (IMC) est\u00e1 acima de um determinado n\u00famero considerado normal. A crian\u00e7a ou adolescente entre cinco e 19 anos de idade que possui um escore-Z de IMC maior que um e menor ou igual a dois est\u00e1 com sobrepeso. J\u00e1 a crian\u00e7a ou adolescente nesta mesma faixa de idade com obesidade ter\u00e1 seu IMC<em> <\/em>maior que dois escore-Z.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por exemplo, uma crian\u00e7a de dez anos que pesa 43 quilos e possui um metro e 44 cent\u00edmetros de altura, possui um Z-IMC igual a 1,53. Este n\u00famero indica que a crian\u00e7a possui sobrepeso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Patr\u00edcia Hinning, o excesso de gordura corporal em qualquer fase da vida \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o. Crian\u00e7as com sobrepeso ou obesidade podem ter aumento de comorbidades ainda na inf\u00e2ncia ou na idade adulta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obesidade pode ocasionar problemas anat\u00f4micos, metab\u00f3licos e psicol\u00f3gicos. De acordo com a bi\u00f3loga Stefanie Fischer, \u201ca obesidade \u00e9 uma doen\u00e7a. N\u00e3o existe obeso saud\u00e1vel\u201d. A maioria das crian\u00e7as com sobrepeso desenvolvem problemas esquel\u00e9ticos, articulares, de mobilidade e equil\u00edbrio, a depender de quanto tempo permanecem obesas devido ao fato de \u201ccarregarem\u201d um peso muito maior do que um esqueleto em desenvolvimento \u00e9 capaz de suportar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Problemas psicol\u00f3gicos tamb\u00e9m s\u00e3o apontados por Stefanie como uma consequ\u00eancia da obesidade infantil. De acordo com a pesquisadora, crian\u00e7as obesas ou com sobrepeso possuem um v\u00ednculo familiar forte, ao passo que tendem a evitar atividades com intera\u00e7\u00e3o social por temerem julgamentos. \u201cIsso \u00e9 o que a gente chama de \u2018retroalimenta\u00e7\u00e3o\u2019. A crian\u00e7a tem medo de sair de casa, ent\u00e3o fica sozinha e acha que merece comer algo gostoso. A crian\u00e7a n\u00e3o se movimenta, come por culpa e engorda cada vez mais\u201d, explica Stefanie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O aumento do tecido adiposo acarreta maior resist\u00eancia \u00e0 insulina, o que favorece a instala\u00e7\u00e3o do Diabetes do tipo 2. A obesidade tamb\u00e9m contribui para o desenvolvimento de colesterol alto, disfun\u00e7\u00f5es neuronais, problemas cognitivos e hipertens\u00e3o arterial. Dificuldades cardiovasculares e respirat\u00f3rias s\u00e3o comuns em crian\u00e7as obesas, uma vez que o cora\u00e7\u00e3o precisa trabalhar mais a fim de bombear sangue para todos os tecidos. De acordo com Stefanie, \u201cpessoas que possuem ac\u00famulo de gordura no f\u00edgado, que \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o central do metabolismo, s\u00e3o mais propensas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de c\u00e2ncer. Estudos apontam que alguns tipos de c\u00e2ncer est\u00e3o diretamente associados \u00e0 obesidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Padr\u00f5es est\u00e9ticos, amplamente disseminados pelas redes sociais, tamb\u00e9m contribuem para o desenvolvimento de problemas psicol\u00f3gicos relacionados \u00e0 obesidade, a exemplo de anorexia e bulimia. Quando a crian\u00e7a com sobrepeso ou obesidade possui insatisfa\u00e7\u00e3o com a imagem corporal, comportamentos n\u00e3o saud\u00e1veis podem ser utilizados para alcan\u00e7ar a \u201cbeleza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;De acordo com Patr\u00edcia Hinning, o uso de laxantes, medica\u00e7\u00f5es para emagrecimento e pr\u00e1ticas como jejum ou pular refei\u00e7\u00f5es s\u00e3o mecanismos prejudiciais \u00e0 sa\u00fade adotados por crian\u00e7as e adolescentes que visam o alcance de padr\u00f5es est\u00e9ticos. Por isso, a pesquisadora enfatiza que a obesidade deve ser tratada de forma interdisciplinar, com especial aten\u00e7\u00e3o ao \u00e2mbito psicossocial e poss\u00edveis conflitos internos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Florian\u00f3polis, a UFSC possui uma pol\u00edtica de assist\u00eancia estudantil que contribui para alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel dos filhos das estudantes da universidade em vulnerabilidade social. As universit\u00e1rias que s\u00e3o m\u00e3es e possuem crian\u00e7as de at\u00e9 12 anos incompletos t\u00eam acesso, por meio da Pr\u00f3-Reitoria de Perman\u00eancia e Assuntos Estudantis (PRAE), ao Restaurante Universit\u00e1rio (RU) de maneira gratuita para si e para seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estudante Betina de S\u00e1, 30, do curso de Letras \u2013 L\u00edngua Portuguesa e Literaturas da UFSC, conta que a entrada gratuita ao RU \u00e9 um benef\u00edcio importante para ela e seu filho, \u00cdcaro, 11.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cLevar o \u00cdcaro no RU foi uma solu\u00e7\u00e3o para mim. Foi uma das cargas mais pesadas que sa\u00edram da minha rotina. Cozinhar leva muito tempo, sem contar o valor da comida que \u00e9 muito caro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maiara Rezende, 27, \u00e9 m\u00e3e de tr\u00eas filhos que possuem 14, oito e dois anos. Ela tamb\u00e9m \u00e9 estudante da gradua\u00e7\u00e3o na universidade e fala que o acesso ao Restaurante Universit\u00e1rio \u00e9 um benef\u00edcio importante, mas que a filha de 14 anos precisa ficar esperando do lado de fora enquanto os irm\u00e3os se alimentam. \u201cO RU ajuda, mas nem tanto. Eu tenho alguma dificuldade em rela\u00e7\u00e3o ao acesso das crian\u00e7as. S\u00f3 os menores conseguem. A maior tem que ficar esperando l\u00e1 fora porque ela n\u00e3o pode entrar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3-reitora de Perman\u00eancia e Assuntos Estudantis, Simone Sobral, explica que os Restaurantes Universit\u00e1rios (RUs) t\u00eam como usu\u00e1rios a comunidade universit\u00e1ria. Excepcionalmente, dependentes menores de 12 anos de estudantes regularmente matriculados que possuam inscri\u00e7\u00e3o validada no cadastro socioecon\u00f4mico da Pr\u00f3-Reitoria de PRAE tamb\u00e9m podem ser usu\u00e1rios do RU.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acesso previsto \u00e9 para crian\u00e7as, isto \u00e9, para pessoas de at\u00e9 12 anos incompletos. De acordo com a pr\u00f3-reitora, \u201cn\u00e3o h\u00e1 embasamento para atendimento de filhos at\u00e9 18 anos, pois n\u00e3o se trata de uma pol\u00edtica para a fam\u00edlia do estudante, mas sim uma pol\u00edtica de perman\u00eancia estudantil\u201d. A pr\u00f3-reitora enfatiza que \u201ca garantia de direitos sociais \u00e9 uma tarefa do Estado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A bi\u00f3loga Stefanie Fischer explica que pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de incentivar a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios e o consumo de frutas e verduras s\u00e3o essenciais para a diminui\u00e7\u00e3o da obesidade infantil. A merenda escolar acompanhada por nutricionistas e o aumento de locais destinados \u00e0 pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos, como pra\u00e7as que possuem equipamentos para muscula\u00e7\u00e3o, auxiliam na consolida\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos saud\u00e1veis e no combate \u00e0 obesidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Iniciativas para restringir o tempo que as crian\u00e7as ficam em frente \u00e0s telas tamb\u00e9m s\u00e3o essenciais. \u201cCrian\u00e7as saud\u00e1veis precisam correr, gritar, pular. Hoje em dia as crian\u00e7as conhecem o mundo por meio das telas, mas n\u00e3o sabem como \u00e9 o quintal da pr\u00f3pria casa. Isso tem contribu\u00eddo muito para o aumento da obesidade infantil\u201d, explica Stefanie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a pesquisadora, uma solu\u00e7\u00e3o eficiente para combater a obesidade infantil seria taxar alimentos ultraprocessados e reverter o valor no custeio de frutas e verduras, para que alimentos <em>in natura <\/em>sejam comercializados com pre\u00e7os menores e o acesso aos alimentos cal\u00f3ricos passe a ser dificultado. No entanto, a pesquisadora explica que \u201cao fazer isso vamos bater de frente com a ind\u00fastria dos ultraprocessados. E infelizmente parece que nenhum governo est\u00e1 disposto a comprar essa briga\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados se confirmam no estudo realizado em Florian\u00f3polis-SC. Especialistas relacionam fatores socioecon\u00f4micos \u00e0 obesidade infantil CAMILA BORGES Tempo e dinheiro s\u00e3o desafios enfrentados pelas m\u00e3es brasileiras que tentam proporcionar uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel aos filhos. 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