Festa organizada pelo Curso de Arquitetura da UFSC tem tema alterado após críticas
Temática divulgada por comissão organizadora da FantasiArq fazia referência a ambiente manicomial
ANA MARIA MATTOS
O tema previamente definido pela comissão organizadora para a segunda edição de 2026 da FantasiArq, marcada para 31 de outubro, na Life Club Floripa, foi alvo de críticas e levantou debate sobre a luta antimanicomial na última semana. O evento é uma festa à fantasia realizada duas vezes ao ano, pelo curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis.
A temática Asylum: onde os gritos ecoam foi inspirada, segundo a comissão, na segunda temporada da série de terror estadunidense American Horror Story, Asylum, lançada em 2012. A palavra asylum, em tradução para o português, significa asilo, hospício ou manicômio, que é o principal cenário da trama.
O tema da festa foi divulgado em 10 de setembro, no perfil da FantasiArq no Instagram. Após receber mensagens negativas, a entidade desativou os comentários das publicações e compartilhou uma nota no story afirmando que a temática da festa era apenas uma referência ao seriado.
“Nossa proposta é criar uma experiência de terror inspirada em uma obra de ficção que faz parte da cultura pop e que sempre trabalhou justamente com esse universo”, explicou a comissão. A organização da festa reforçou que entendia o significado histórico por trás das instituições psiquiátricas e que não compactua com qualquer forma de estigmatização ou desrespeito.
Na terça-feira (15), o Movimento de Luta Antimanicomial Floripa (MLAF) publicou, no Instagram, uma nota de repúdio ao tema escolhido pela organização da FantasiArq. “O universo ‘fictício de terror’ de American Horror Story, como citado no posicionamento da organização da FantasiArq, foi e ainda é a realidade de muitas pessoas”, disse. “Celebrar e lucrar com essa temática é violento não apenas com sobreviventes e vidas ceifadas pelos manicômios, mas também com todas as pessoas que ainda enfrentam os estigmas, preconceitos, discriminações e exclusões herdados dessas instituições”, complementou.
A nota publicada pelo MLAF também foi assinada por Centros Acadêmicos (CAs) da UFSC, como o Centro Acadêmico Livre de Psicologia (Calpsi) e o Centro Acadêmico Livre de Medicina (Calimed), além do Diretório Central dos Estudantes (DCE).
Após a repercussão, a FantasiArq removeu todas as postagens do Instagram referentes à festa, e comunicou que a abertura das vendas, que iniciaria na quarta-feira (16), seria prorrogada. Horas depois, no mesmo dia, outro pronunciamento da comissão foi publicado, e informou que o tema foi alterado para Trick or Treats: uma noite de travessuras. A data da festa segue a mesma, e as vendas dos ingressos iniciam em 7 de outubro.
A Lei nº 10.216, chamada Lei Antimanicomial, foi implementada no Brasil em 2001, instituindo o direito à saúde integral em ambiente terapêutico não asilar, com meios menos invasivos e a proibição de isolamento compulsório ou de alojamento impróprio para portadores de transtorno mental ou de deficiência psicossocial, de acordo com o Código Penal Brasileiro.
Publicação da Fantasiarq anunciando o tema “Asylum: onde os gritos ecoam”. Foto: Captura de tela via Instagram









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