Família cobra prisão de motorista envolvido em colisão que matou jovem na BR-282
Condutor que atingiu 2 veículos na contramão recusou teste do bafômetro, mas disse em vídeo que bebeu duas garrafas
RENATA MEDEIROS
A família de Hyuri Borges Gonçalves, de 21 anos, criou a hashtag #justicahyuri nas redes sociais para cobrar a responsabilização do motorista envolvido no acidente que matou o jovem. A colisão aconteceu na manhã de 18 de agosto, na BR-282, em Santo Amaro da Imperatriz (SC).
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a caminhonete Renault Orochin invadiu a contramão, atingiu a motocicleta conduzida por Hyuri e, em seguida, o carro em que estava Edna Souza, de 50 anos. Ela sobreviveu ao acidente, com lesões no pé, torso e braço, e confirmou a versão da PRF.
O motorista do Renault negou fazer o teste do bafômetro, segundo laudo pericial da PRF. Ele foi filmado por um outro homem ainda no local do acidente. No vídeo, afirma que “estava voltando da putaria” e bebeu “duas garrafas”. O Fatual UFSC teve acesso às imagens mas, devido ao conteúdo explícito e violento, optou por não publicá-las junto à matéria.
“O que ele tem melhor que eu, além de dinheiro, que não pode pagar pelos seus crimes?”, questionou a irmã de Hyuri, Hiale Borges em vídeo publicado no Instagram. Ela e o irmão, Juan Diego Borges Gonçalves, se pronunciaram nas redes sociais pedindo apoio para cobrar a investigação. “Estamos mais destruídos a cada dia pela falta de justiça, não temos vontade pra nada”, afirma Juan.
A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) abriu um inquérito para investigar o caso. Ao término da investigação, o delegado pode encaminhar o relatório ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com ou sem indiciamento. Conforme a advogada e doutora em direito Camila Damasceno de Andrade, cabe ao MPSC avaliar se há prova da ocorrência de crime e indícios suficientes de autoria para oferecer denúncia ao motorista.
Cláudio Macedo de Souza, advogado e doutor em direito, explica que o condutor pode responder por homicídio culposo, caso tenha agido sem a intenção de matar, com o agravante de embriaguez, que aumentaria a pena.
O caso também pode ser enquadrado como homicídio doloso por dolo eventual, se a Justiça entender que o motorista assumiu o risco de produzir o resultado de morte. Nessa hipótese, vai ao Júri Popular. “O motorista pode receber multas de trânsito e ter que indenizar os danos materiais e morais feitos à vítima e à família”, explica o advogado.
“O fato de entrar na contramão de duas vias, combinado com a recusa do bafômetro e posterior confirmação de embriaguez por testemunhas, vídeos e perícia, dá forte subsídio para o MPSC denunciá-lo por homicídio doloso eventual”, afirma Cláudio.
Até o momento da publicação dessa matéria, Edna Souza não havia recebido indenização. O Fatual UFSC não conseguiu contato com o condutor do Renault Orochin. O espaço segue aberto para manifestação.
Batida envolveu três veículos no km 30 da BR-282, em Santo Amaro da Imperatriz (SC). Foto: CBMSC.









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