Estudantes protestam contra nazismo e racismo após pichação na UFSC
Manifestação cobrou ações de Reitoria e de direção de centro após mensagem de ódio ser encontrada em banheiro de Centro Socieconômico
MAJU BARBOSA
Organizações estudantis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) coordenaram um ato contra racismo e nazismo na quarta-feira (16). A iniciativa veio do Coletivo Negro Lélia Gonzalez (Legon), do Curso de Direito da UFSC, em resposta a uma pichação enaltecendo o nazismo e o bolsonarismo encontrada no banheiro do Centro Socioeconômico (CSE), do campus Trindade, em Florianópolis.
A mensagem foi denunciada pelo Legon na sexta-feira anterior, 11 de setembro. No domingo (13), a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) afirmou que o caso foi encaminhado à Polícia Federal (PF). A UFSC publicou, na segunda-feira (14), uma nota de repúdio no site noticias.ufsc.
“Não aceitaremos que o racismo, o ódio, a intolerância ou qualquer forma de ameaça encontrem espaço na UFSC”, afirmaram a Reitoria e a Proafe. Em um vídeo nas redes sociais, o reitor Amir de Oliveira se posicionou. “Não toleraremos a intolerância”, defendeu.
Durante o ato, os manifestantes andaram pelos prédios do CSE e do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) entoando frases como “antirracista e antinazi, o povo preto ocupa a universidade” e “nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu? Aqui está presente o movimento estudantil”. Membros de coletivos político-estudantis, como o Revide SC, também falaram sobre luta e resistência negra aos presentes.

“Nós, estudantes negros da UFSC, queremos nos sentir pertencentes, andar pelos corredores sem ser ameaçados”, disse Fernanda Barreto Oliveira, estudante da quarta fase de Direito da UFSC, membro do Legon e uma das organizadoras do ato.
“Essa manifestação foi para mostrar que quando a gente se organiza, consegue travar muitas lutas. Para pressionar a Reitoria e a direção de centro a promover ações que nos façam sentir acolhidos e que não deixem que essas coisas voltem a acontecer, porque não é a primeira vez”, afirmou. Os últimos casos de pichações com escritos nazistas encontrados na Universidade foram em 2022.

“A nossa participação ativa na luta antirracista, sendo uma pessoa branca, é construindo esses atos, denunciando, repudiando e nos mantendo à disposição das organizações”, defendeu Paulo Padilha, estudante de Ciências Sociais da UFSC, que participou do ato. “A gente tem que estar aqui e gritar junto. Não adianta só fazer postagem no Instagram. É uma responsabilidade nossa se educar e passar isso para a frente”, disse.









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