Creches do Norte da Ilha recebem ameaça de ‘banho de sangue’ em Florianópolis
Mensagem com ofensas racistas foi enviada a escolas e órgãos de Prefeitura da Capital
RENATA MEDEIROS
Unidades de educação em Florianópolis receberam, na sexta-feira (11), um e-mail com ameaças de atentados, ataques ao prefeito Topázio Neto (Podemos) e violência racista contra uma professora. A mensagem tinha como alvo creches do Norte da Ilha, conforme a Polícia Militar (PM). Há quase 16,3 mil crianças nos Núcleos de Educação Infantil Municipal (Neims) do município.
“Já foram identificados possíveis suspeitos, e as forças de segurança realizam diligências para localizá-los e adotar as medidas legais cabíveis”, afirma a Prefeitura de Florianópolis (PMF). O autor da mensagem fez xingamentos e ameaças de violência física ao prefeito.

Ataques racistas foram feitos à uma educadora, “aquela professora negra será meu alvo principal”, afirma o texto. Um “manifesto final” é mencionado, no qual às mortes das crianças seriam usadas para um “Acto Sancto”, expressão que significa “ato sagrado” em latim.
As aulas do período da tarde já haviam sido canceladas por recomendação da Defesa Civil, como medida preventiva diante da previsão de chuvas intensas. Segundo a PM, escolas municipais e estaduais do Norte da Ilha foram visitadas. “A segurança foi reforçada em todas as unidades educativas, com ampliação das rondas e orientação para o cumprimento dos protocolos de segurança”, afirma a PMF.
A professora e mãe Monique Ouriques Maia explica que, após o cancelamento das aulas, os trabalhadores foram informados sobre as mensagens ameaçadoras e perceberam que algo mais grave poderia estar acontecendo. “As escolas ainda são vulneráveis às questões que envolvem segurança, apesar de se falar no Comitê de Segurança desde 2023”, diz.
O Comitê de Segurança faz parte das ações do “Escola Segura”, programa que envolve rondas da PM e Guarda Municipal (GMF), mudanças estruturais e criação de grupos que debatem questões de segurança. A medida foi implementada após o Massacre de Blumenau (SC), que tirou a vida de quatro crianças na creche Cantinho Bom Pastor, em 2023.
“De modo geral, acho as unidades seguras. As rondas são esporádicas, mas a GMF fica de forma mais contínua se solicitado”, afirma a mãe Bárbara da Rosa Alderette.









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