Garimpa Floripa reúne brechós e mais de 3 mil peças em Florianópolis
Feira tem peças de segunda mão e consumidores interessados em alternativas ao consumo convencional de moda
ISADORA GILIOLI
A 76ª edição da feira Garimpa Floripa aconteceu no complexo do Viva Trindade no domingo (6). Com mais de 3 mil peças de vestuário feminino, masculino e acessórios, o evento reuniu 18 expositores e cerca de 2 mil pessoas. O projeto é criação das amigas Ana Carolina Martinelli e Ciana Brandolt da Silva iniciado em junho de 2025.
“Nossa ideia sempre foi proporcionar esse espaço para os brechós e incentivar a moda sustentável. E ao mesmo tempo, ocupar novos espaços na cidade, levando a moda circular para outros bairros e municípios da Grande Florianópolis”, destaca Ciana.
Para Syrlene Caixes, dona do brechó Borogodó e expositora do evento, há um aumento na procura por brechós nos últimos anos. Segundo ela, o público está começando a valorizar roupas exclusivas, com qualidade e durabilidade que, muitas vezes, não são encontradas nas marcas de fast fashion, caracterizadas pela produção rápida e em grande escala para acompanhar tendências.
“Quando comecei a trabalhar com moda circular há 30 anos o brechó era muito malvisto e tinha um preconceito muito grande. Era considerado roupa de defunto. Atualmente isso já mudou bastante”, afirma.

Participando pela primeira vez do Garimpa Floripa, Raquel Ferreira de Almeida deixou sua antiga profissão para trabalhar apenas com seu brechó, Garimpos da Quel, há um ano e seis meses. “O mercado para as peças de segunda mão está crescendo muito. As pessoas estão pensando na sustentabilidade e investindo em uma peça de brechó que vai durar dez anos, em vez de comprar uma peça de fast fashion que não vai durar nem um ano, porque a composição dela é basicamente plástico”, explica.
Entre os visitantes estava a doutoranda em Moda pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Izzy de Oliveira Barreira. Ela defende que já foram produzidas peças suficientes e que não é necessário produzir na quantidade que é produzida hoje em dia. “Escolho comprar em brechós porque nós precisamos pensar na circularidade dessas peças, mas o que mais me motiva é a possibilidade de encontrar peças vintage e exclusivas”, afirma.

A popularização dos brechós também levanta questionamentos sobre até que ponto comprar roupas usadas representa uma mudança no consumo de moda. Ana, uma das fundadoras, reconhece que a compra em brechós pode estimular o desejo de consumir mais, principalmente pelo preço e pela possibilidade de encontrar peças de marcas conhecidas.
Apesar de o evento incentivar a compra de peças de segunda mão, as organizadoras defendem que a proposta não se resume ao consumo. “Não é porque eu estou comprando num brechó que é mais barato que eu vou poder comprar mais”, ressalta Ana.









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