Chuva de granizo danifica moradia estudantil indígena da UFSC

Estudantes organizam vaquinha para custear reparos em estragos ocorridos dia 30 no campus Trindade

RENATA MEDEIROS

A chuva de granizo atingiu a cozinha e a sala de vivências da Ocupação Maloca, moradia estudantil indígena da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Com 27 estudantes e quatro crianças, a unidade tem três bocas de fogão funcionando. As pedras chegaram a 4 cm de diâmetro, no domingo (30). Segundo moradores, 120 telhas quebradas provocaram goteiras e alagamentos que danificaram os armários e dois fogões. A Defesa Civil e a UFSC cederam uma lona, cada uma, para cobrir furos no telhado. 

O estudante de antropologia Alex Vieira, morador da Maloca, diz que a estrutura da ocupação não é adequada para acidentes climáticos. “Naquele momento a gente não tinha certeza do que vem, o telhado é antigo e qualquer chuva de granizo mais intensa teria prejudicado totalmente”, afirma o estudante. Já conforme a estudante de jornalismo e moradora, Vanessa Feha, a maior preocupação eram as crianças e a incerteza de como o espaço ficaria após.

A Prefeitura Universitária (PU) identificou que cerca de 100 m² foram atingidos. Segundo a prefeita, Carolina Cannella Peña, a substituição das telhas afetadas será efetivada assim que o novo contrato de manutenção entrar em vigência, até agora a UFSC realizou reparos pontuais nos banheiros e vazamentos. No dia 1°, a Ocupação Maloca se reuniu com a Reitoria. “Pedimos melhorias na estrutura: troca de fogões, armários e telhas que foram afetados pelas chuvas e dos chuveiros e máquinas de lavar. Eles se comprometeram a dar todo o suporte possível, esperamos que seja cumprido”, afirma Alex.

Moradores da Ocupação Maloca fazendo as solicitações da moradia para a Reitoria. Foto: Reprodução/Ocupação Maloca.

A diretora do Departamento de Gestão da Moradia Estudantil (DGME), Marcela Boro Veiros, afirma que a Reitoria está empenhada em resolver as demandas. “Temos desafios pela falta de verba, então pretendemos viabilizar, no futuro, doações de empresas e da comunidade para conseguir atender os estudantes”, diz. A Reitoria se reuniu com a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) para solicitar verba federal destinada à recuperação das estruturas, na quinta-feira (3). A Maloca foi citada como parte das “áreas essenciais, algumas delas prejudicadas pelas chuvas de forma recorrente”.

Formação do granizo

O professor de Geociências da UFSC e integrante do Laboratório de Climatologia, Lindberg Nascimento Júnior, explica que o granizo é a precipitação sólida da água. Sua formação depende da umidade e temperatura, em condições de instabilidade atmosférica e correntes convectivas fortes, presentes em nuvens do tipo Cumulonimbus. Segundo o professor, o transporte de pequenas gotas de água e partículas de gelo as seções mais frias da nuvem, em que a temperatura está abaixo de 0 °C, converte as partículas em pedras. O processo pode ocorrer em várias etapas, fazendo com que o granizo aumente de tamanho. Quando ficam pesados demais, eles caem.

Com isso, a chuva de granizo pode tornar-se mais frequente e intensa por conta do aquecimento global, que acelera este processo, explica o professor de Biologia da UFSC e pesquisador de mudanças climáticas, Paulo Antunes Horta Junior. “É importante que tenhamos adaptações. As telhas das casas devem ser mais grossas, a inclinação tem que ser pensada, assim buscando prevenir os impactos”, afirma

Foto: Ocupação Maloca UFSC.

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