Prefeitura de Palhoça derruba abrigos de animais comunitários

Ativista expõe negligência da prefeitura e viraliza nas redes sociais em defesa da permanência dos animais 

PAULA DE MILANO

A Prefeitura Municipal derrubou cinco casas de cachorros comunitários no bairro Nova Palhoça, em Palhoça, SC. A denúncia foi feita por meio de um vídeo postado no TikTok pela ativista da causa animal que atua na região, Simone Aparecida. As casas foram demolidas na quinta-feira, 4, e o vídeo viralizou nas redes sociais com mais de 163 mil visualizações. A ativista explicou que as casas não eram um problema para a comunidade e que não houve nenhuma acusação por trás da ação. “Os animais não incomodavam, não tinha sujeira, as casinhas eram velhas, mas quando conseguia, eu trocava”, explica. 

As casas ficavam em uma Área de Preservação Permanente (APP), zona ambiental protegida por lei, coberta ou não por vegetação nativa, segundo Simone, que atua há mais de 14 anos fazendo o resgate de animais de rua na região. No dia da demolição, Simone relata ter pedido para o operador do trator esperar a remoção dos animais da área. O trabalhador respondeu que não era possível esperar, já que a ordem era derrubar de imediato. No momento da demolição, uma gata tinha acabado de dar à luz, ocupando o lugar com quatro filhotes. A ativista socorreu os animais e precisou levar um deles para uma clínica veterinária.

A vereadora de Florianópolis Priscila Fernandes (PSD), que atua na causa animal, questionou o porquê da demolição de uma área de vegetação abundante e com outras espécies de animais. “A prefeitura é negligente com cuidados e políticas públicas voltadas para os animais. Mas nunca chegou a esse ponto”, afirma. Os animais que habitavam a região eram de grande porte, e as casas novas prometidas pela prefeitura não dariam suporte necessário.

Simone também critica a demora na assistência da prefeitura. “Onde esses cachorros vão dormir em 15 dias nesse tempo de chuva e frio?”, questiona. Simone também critica como o recolhimento dos animais do município não é suficiente, já que a própria prefeitura alega que não há vagas remanescentes. “Não é oferecida nenhuma assistência aos protetores ou consultas veterinárias, sem contar que a castração social é de apenas 500 animais por mês”.

Depois da repercussão do vídeo, com mais de 33 mil curtidas, a prefeitura emitiu uma nota afirmando que a limpeza ocorreu após solicitação de moradores da região, que relataram condições inadequadas no espaço, como acúmulo de resíduos e materiais que poderiam representar riscos sanitários tanto para os vizinhos quanto para os próprios animais.

O governo municipal também reforçou que atua por meio da Diretoria de Bem-Estar Animal (Dibea), com ações de suporte aos animais com ações permanentes de acolhimento, castração, atendimento veterinário, incentivo à adoção responsável e suporte aos protetores independentes e cuidadores de animais comunitários. “Cinco novas casinhas destinadas aos cães comunitários do bairro serão construídas e instaladas até o fim da próxima semana, proporcionando melhores condições de abrigo e proteção aos animais da região”, consta a nota.

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