Falta de estrutura no RU UFSC dificulta dia a dia dos trabalhadores
Funcionários exigem melhores condições de trabalho e pró-reitora rebate: “Qualquer outra gestão teria terceirizado por completo o RU, e esse é o risco”
GRAZIELA PASINATTO
Funcionários do Restaurante Universitário (RU) pediram melhores condições de trabalho e aumento na taxa de insalubridade em uma série de ações realizadas no campus Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Trabalhadores relatam falta de estrutura nos banheiros, além de outros problemas. A Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis (Prae), que administra o espaço, declarou que faz o possível com baixo orçamento e pouca equipe
Desde 2025, o RU fecha durante as férias de verão para manutenção. No início de 2026, o restaurante ficou fechado por 57 dias para reparos emergenciais. Em 18 de março, um vazamento de gás resultou na hospitalização de uma funcionária grávida por intoxicação. Pouco mais de um mês depois, em 27 de abril, parte do forro do vestiário feminino caiu, por causa de uma infiltração.
Desde o desabamento, funcionárias utilizam um banheiro de forma improvisada para guardar pertences e trocar de roupa. Segundo a cozinheira Ellen Ataide, o espaço é pequeno para a quantidade de mulheres do turno. “Não dá para se mexer lá dentro. Nós somos muitas, o lugar é pequeno e não tem nenhuma privacidade”, conta.
Problemas na gestão dos Restaurantes Universitários não são um fenômeno isolado da UFSC. Em 27 de fevereiro de 2026, funcionários terceirizados da empresa Nutryenergy – que opera o RU da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – paralisaram as atividades em protesto aos atrasos salariais. Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), trabalhadores terceirizados da empresa Cozinha Gourmet entraram em greve pelo mesmo motivo. Cerca de um mês após a paralisação, em 13 de julho, a empresa quebrou o contrato com a instituição antes do prazo estipulado.
A pró-reitora de assuntos estudantis da UFSC, Simone Sobral Sampaio, declarou que manutenções emergenciais foram priorizadas enquanto um processo licitatório para uma reforma integral era elaborado. Atualmente, a Prae elabora um orçamento para solicitar recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para realizar uma reforma total da estrutura do RU.
Ela destacou que o Restaurante Universitário é a principal política de permanência estudantil, e que nos últimos anos observou um processo de desmoralização dele. “Quem desdenha quer comprar. Vocês, estudantes, cuidem para não levar água para o moinho do inimigo, vamos proteger o RU”, afirmou Simone. Entre as obras planejadas, há uma reforma do telhado do restaurante viabilizada pelo repasse de R$3,7 milhões do governo federal, planejada para junho.









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