Ação coordenada por laboratório da UFSC recolhe 184 quilos de lixo da Lagoa da Conceição
Maior parte do material coletado não pôde ser reciclado. Descarte irregular prejudica animais marinhos e ecossistema local
LUISA PAZ
Um grupo de 30 pessoas, liderado pelo Laboratório de Camarões Marinhos (LCM) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), recolheu 184 quilos de lixo no terceiro Encontro de Limpeza da Lagoa. A iniciativa ocorreu em 8 de maio. Além da coleta, foram realizadas atividades educativas de proteção da fauna e ações voltadas à sustentabilidade e ao descarte correto de resíduos. O Laboratório de Moluscos Marinhos (LMM) também participou da ação, que teve o apoio da empresa de canoagem havaiana Tribuzana Va´a, da organização R3 Animal, e do hortifruti Fruteira do Geraldo. O mutirão retirou rejeitos das margens e áreas próximas da Lagoa da Conceição.
Segundo Cibele Tesser da Costa, técnica de laboratório do LCM e uma das responsáveis pela organização do encontro, a coleta durou aproximadamente 40 minutos. Já a triagem, a divisão do lixo, demorou cerca de duas horas. A equipe, formada majoritariamente por estudantes da UFSC, foi dividida em três. Um grupo trabalhou a pé nas margens. Outro utilizou canoas para alcançar as partes mais profundas da Lagoa e o último que ficou responsável pela seleção. A quantidade recolhida foi acumulada em 300 metros de extensão, e depois foi encaminhada para a Autarquia de Melhoramentos da Capital (Comcap) para o descarte adequado. “Infelizmente, a maior parte de todo o resíduo não foi para a reciclagem e estava em estado de decomposição. Apenas os materiais de metal foram selecionados. O resto foi considerado rejeito” , conta Cibele.
Entre os 184 quilos, os objetos mais numerosos foram sacolas de plástico, garrafas PET e de vidro, copos, latinhas, sacolas, calçados e embalagens de marmita feitas de isopor. Cibele comentou que diversos utensílios de pesca também foram recolhidos, como redes e cordas, e que cerca de 40 isqueiros também foram encontrados. A coordenadora também destacou que objetos leves, como sacolas, são levadas tanto pelo vento e mar. “A conexão do canal com o oceano impulsiona esse acúmulo”, disse.
A principal consequência do acúmulo de lixo na Lagoa da Conceição é o impacto causado aos animais marinhos. A presença de resíduos na água ameaça diferentes espécies e pode levar à morte desses animais. No início do encontro, a ONG R3 Animal apresentou fotos de estômagos de aves e peixes que haviam consumido pedaços de plástico e isopor. “Isso causa a morte dos animais. A quantidade de resíduos dentro deles é impressionante. Eles não conseguem distinguir o que estão ingerindo”, explica Carlos Carubelli, administrador da Estação de Maricultura Elpídio Beltrame (Emeb).
Carubelli ressaltou que o principal desafio envolvendo a preservação da Lagoa da Conceição está na falta de coordenação entre os diferentes setores responsáveis pelas políticas públicas da região. Segundo o ecologista, o sucesso dessas ações depende do comprometimento conjunto de instituições como o governo estadual, a prefeitura, a universidade e a própria comunidade local. Carlos destaca que iniciativas isoladas, como a realizada pelos laboratórios da UFSC, têm impacto positivo, mas ainda são pontuais. A técnica Cibele acredita em educar a população a fazer o descarte correto, e a separação para a reciclagem, desde a infância. “Florianópolis é um local com um sistema de coleta de resíduos que é exemplo e as pessoas precisam começar a se adaptar. Acredito que isso é possível com políticas públicas que foquem na educação”, enfatiza.









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