Servidores de carreira acumulam funções após demissão de 209 funcionários
Após duas semanas de paralisação, greve de servidores municipais em Florianópolis sobrecarrega profissionais da saúde e educação que permanecem nas unidades
RAFAEL SILVA
Iniciada em 23 de abril, a greve organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem) com servidores municipais da saúde e da educação para reivindicar melhores salários e condições de trabalho já dura duas semanas e segue sem data para se encerrar. Em resposta, a Prefeitura de Florianópolis demitiu mais de 200 funcionários admitidos em caráter temporário (ACTs), justificando as dispensas pelas “ausências injustificadas” desses servidores.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) declarou em 30 de abril a ilegalidade da greve dos servidores municipais de Florianópolis. A decisão determinou o retorno imediato ao trabalho, sob pena de multas e demissões.
A pauta de reivindicações da categoria, liderada pelo sindicato, inclui o reajuste salarial com base na inflação, o aumento real dos vencimentos e a melhoria nas condições de trabalho, como a contratação de mais profissionais efetivos para reduzir o déficit de pessoal nas unidades.
A paralisação afetou dezenas de unidades da educação infantil, atingindo diretamente a rotina das famílias que dependem do serviço. As demissões agravam o caso, prejudicando o atendimento a crianças e jovens pela falta de professores e auxiliares a longo prazo.
“Quando profissionais são retirados das unidades escolares em meio a uma greve, quem sente imediatamente os impactos são as crianças. Em turmas que atendem até 30 crianças diariamente, o trabalho do auxiliar de sala e do profissional de apoio não é “extra”, ele é essencial para garantir acompanhamento, segurança, organização e condições reais de aprendizagem”, afirma Cristiane Aguiar, supervisora escolar da creche Júlia M. Rodrigues, que no último ano recebeu mais de 180 alunos.
A falta de profissionais atinge especialmente os alunos que necessitam de atendimento especializado, limitando as atividades previstas no calendário escolar. Dificuldades operacionais relatadas antes da paralisação tornaram-se mais evidentes.
“A falta de profissionais, especializados ou não, sobrecarrega o professor em sala de aula, tornando tudo ainda mais difícil para ele e para os alunos”, diz Cristiane.
A rede municipal de ensino de Florianópolis atende mais de 30 mil alunos, segundo dados da Prefeitura. Até o último levantamento, 30% dos 6 mil servidores haviam aderido à paralisação. As demissões deixam em aberto o cronograma de reposição de aulas e a normalização dos atendimentos nas unidades de saúde, que agora dependem do desfecho jurídico da greve.
Na área da saúde, mesmo com uma adesão menor, de apenas 10%, os problemas também são graves. Limitações nos atendimentos e desmarcação de consultas têm afetado tanto os postos de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (Upas) quanto os Centro de Atenção Psicossocial (Caps).
Mesmo com a sobrecarga de trabalho, em alguns casos, a união dos servidores na busca por suas reivindicações segue firme.
“O sindicato tem até 15 dias para apresentar uma resposta ao juiz quanto a essas demissões arbitrárias por parte da Prefeitura. Sabemos que isso não passa de um truque para nos colocar medo, mas eles podem ter certeza de que nosso ímpeto não mudou, e estamos ainda mais unidos por essa causa”, explica Cristiane Maria, médica que também aderiu à greve.









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