Roda de Conversa no Abril Indígena reforça ligação entre universidade e aldeias
Estudantes e pesquisadores indígenas compartilharam suas experiências na UFSC
RILLARY SOUZA
Durante o mês de abril, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realiza atividades em reconhecimento à diversidade indígena na instituição. Em 17 de abril, o Centro de Ciências Biológicas (CCB), no campus Trindade, em Florianópolis, recebeu uma roda de conversa com sábias e sábios, artesãs e artesãos indígenas. O evento foi organizado pelo Laboratório de Ecologia Humana e Etnobotânica (Ecohe) e pelo Laboratório de História Indígena (Labhin), com apoio do Instituto Serrapilheira.
O intuito era dar visibilidade à conexão entre a universidade e a aldeia e mostrar os aprendizados que um estudante indígena retorna a sua comunidade. A roda de discussão reuniu membros dos povos Guarani, Kaingang e Laklãnõ-Xogleng, além de não-indígenas.
De acordo com a coordenadora do LABHIN, Adriana Kaingang, o momento aponta a importância de falar sobre as ciências indígenas e mostrar a autonomia que os estudantes têm em suas pesquisas. Durante a troca de vivências, foram levantadas questões sobre as diferenças entre as rotinas na comunidade indígena e na acadêmica. Thaira Pripra, estudante de Psicologia na UFSC, do povo Xokleng, destacou como a falta de coletividade adoece todas as pessoas, indígenas ou não. “No mundo capitalista você tem que produzir o tempo todo, caso contrário, você não é ninguém. Na comunidade a gente é alguém quando acorda, quando vai fazer algum alimento. A gente é alguém a todo o momento”, compartilhou.
Desde 2017, estudantes indígenas realizam o Abril Indígena por conta própria e buscavam institucionalizar o projeto. Em 2026, organizado pela Coordenadoria de Relações Étnico-Raciais (Coema) da Pró-reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), o Abril Indígena UFSC construiu uma agenda de atividades acadêmicas, culturais e políticas.
Para fechar a programação, foi exibido o documentário Yanuni(2025), parceria entre Cine LABHIN e Cine Paredão, em 29 de abril. O evento foi gratuito e aberto ao público, no Bosque do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), no campus Trindade, às 19h. Também na quarta-feira, dia 29 de abril, o campus de Blumenau realizou a roda de conversa “Povos Originários no Vale do Itajaí: história e atualidade”, às 19h, com participação de Maria Elis Tolym Nunc-nfôonro, indígena Laklãnõ-Xokleng.









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