Influenciadores e políticos atacam projeto que pune misoginia como crime de ódio
Personalidades da ‘machosfera’, termo que define criadores de conteúdo machistas, criticaram PL aprovado no Senado
MANUELA MELO
Influenciadores de conteúdo masculino e políticos de direita reagiram negativamente à aprovação pelo Senado do projeto de lei que equipara misoginia, o ódio à mulher, ao crime de racismo. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL – MG) definiu a ideia como inacreditável e afirmou que irá trabalhar para “derrubar essa aberração”, em referência ao projeto, em uma publicação na internet. A proposta da senadora Ana Paula Lobato (PSB – MA) foi aprovada na terça-feira (24).
Formada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a especialista em Gênero e Sexualidade Jessica Gustafson enquadra esse posicionamento no que chama de “grupo anti-direitos”. A pesquisadora avalia que este grupo político é composto por pessoas que se colocam contra os avanços importantes em direitos e reconhecimento de determinados grupos que sofrem desigualdades históricas e estruturais. “Não querem que se nomeie o ódio contra as mulheres porque não querem que se discuta e se reconheça isso enquanto problema da sociedade”, analisa.
A proposta do PL 896/2023 é incluir na Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, crimes motivados por misoginia entre aqueles punidos por discriminação ou preconceito. Além de punir discriminação racial, a lei abrangeria injúrias e disseminação do ódio contra mulheres. “O mais importante é fazer com que a misoginia seja reconhecida como um problema público”, entende Jessica.
Além da repercussão entre políticos, influenciadores também atacaram o projeto. Para a pesquisadora Elaine Schmitt, a repercussão ocorre por um efeito de backlash, o medo demonstrado por homens de perderem seus privilégios e poder diante das mulheres. “Ao mesmo passo que tivemos avanços importantes na luta por direitos para às mulheres, vimos uma grande reação a isso”, analisa Elaine. Após aprovação no Senado, o projeto agora é analisado pela Câmara dos Deputados, que ainda não apontou um relator para análise da proposta.
*Foto por Saulo Cruz / Agência Senado









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